Top Animes por Temporada

Top 15 Animes Recomendados da Temporada de Inverno 2017

Tendo em consideração as séries que acompanhámos durante a temporada passada, a equipa do Anihome apresenta o seu TOP 15 Animes Recomendados da Temporada de Inverno de 2016. Esta foi uma temporada recheada de sequelas e por ser um top de recomendações e não um top das melhores séries, primeiras temporadas terão prioridade sobre sequelas.

15 – Seiren

Alguma vez quiseram ver um anime mega genérico sobre a vida escolar de personagens que não têm qualquer característica interessante? Eu também não. No entanto, aqui estamos nós.

Feito pelo estúdio Gokumi (conhecido por fazer Kiniro Mosaic) em parceria com AxsiZ, Seiren consegue tornar o genérico anime sobre a vida académica de adolescentes em busca do “amor” ainda mais genérico, com cenas cliché e previsíveis à espreita em cada esquina.

A história centra-se num estudante e no seu pseudo-romance com três raparigas da sua escola, em alturas diferentes (porque vamos ser sinceros, o miúdo não aguentava tanta fruta ao mesmo tempo). Embora não haja nada que valha a pena denotar sobre nenhuma destas relações, ficamos com a sensação de que o plano original era levar a história a algum lado, mas este objetivo nunca foi atingido. Isto desiludiu-me bastante porque notava-se que era uma ideia simples e aparentemente fácil de transmitir: o crescimento pessoal com cada relação com as raparigas em questão. Sempre que houveram tentativas de progresso neste sentido, essa parte da história terminava sem que se explorasse a relação o suficiente para se sentir algum impacto nas personagens.

Ao longo da série, a história parece não ir a lado nenhum (nem para as calças do coitado do rapaz) e quando decidem chegar ao clímax de uma das histórias, deitam-no por água abaixo sem que haja realmente algo de valor a retirar. São transmitidos morais pretensiosos, sendo que nos episódios seguintes as personagens comportam-se como se nada tivesse acontecido ou não tivessem aprendido nada de novo.

História à parte, a animação e trilha sonora não têm nada de especial. A série tem umas pinguinhas de comédia aqui e ali, mais um pouco de fanservice acolá, mas nada que fosse mesmo merecedor de menção.

Sinceramente, só decidimos escrever sobre este anime neste top porque queriamos completar o número redondinho de “top 15”. Alguns lugares ficam vazios e precisam de ser preenchidos e, sem que seja preciso dizer, este é um deles. Nós gostamos muito de escrever e não é como se tivéssemos mais nada para fazer *cough*estudar*cough*. Para o bem ou para o mal, fica a recomendação de um anime que mesmo para pessoas que gostem deste género de anime, não traz nada de novo para o prato e mais faz-nos pensar: “Massa outra vez?!”.

Escrito por TheRedKraken


14 – Urara Meirochou

O estúdio J.C. Staff realmente meteu a pata na poça nesta temporada, sendo Urara Meirochou a única coisa minimamente de destaque que fizeram, que tem tanto bolo de moe, doce de loli e bombons de yuri que chega a dar cáries.

A história é apresentada desde o começo da série, sendo bastante simples: Chiya, uma rapariga que cresceu nas montanhas e criada por animais (porque a mãe não tinha paciência para isso), desloca-se a Meirochou, a cidade labirinto que é famosa por ter videntes de tudo e mais alguma coisa (até na sequência de abertura há um sinal de “vidência de lágrimas”, espero que não involva fazer chorar sem ser por descascar cebolas). Chiya tem como objetivo encontrar a sua mãe, contudo não sabe nada sobre ela, nem mesmo a sua aparência (até me admira as autoridades não acharem que é uma piada de mau gosto). A jovem rapidamente percebe que só uma mestre vidente é que consegue profetizar onde a sua mãe possa estar, sendo que estas têm a clarividência necessária para encontrar qualquer coisa ou pessoa, mesmo sem nenhuma descrição.

Com o objectivo de encontrar uma vidente poderosa o suficiente para lhe fornecer pistas sobre o paradeiro da sua mãe, Chiya ingressa como aprendiz de vidente. Ao longo da sua aventura ela conhece outras aspirantes a vidente, Kon, Koume e Nono, e juntas trabalham para se tornarem videntes (com cenas de fanservice legalmente questionáveis) e ajudar Chiya na sua procura.

Nas várias aventuras e lições do grupo, nota-se que há um padrão muito óbvio e característico de animes como este, que é “ultrapassar as adversidades com o poder da amizade!”. Juntem muito moe, lolis a mostrarem o corpo umas às outras, e mesmo a chefe da polícia da cidade a questionar a sua sexualidade no meio daquilo tudo e têm (a polícia a tocar à porta) a receita para Urara Meirochou.

Não há nada de especial a dizer acerca da animação, tendo esse aspecto deixado muito a desejar com as famosas “caras de batata”. Os character designs até são adoráveis, mas também sem nada de destaque. As personagens em si são bastante estereotípicas, embora se note que houveram tentativas de desenvolvimento das personagens (mas que não tiveram grandes resultados).

Lamentavelmente, foi outro anime que não trouxe nada de novo a um género que está demasiado batido. Confesso que houveram vezes em que eu estava quase a adormecer dada à sua previsibilidade.

Escrito por TheRedKraken


13 – Fuuka

O estúdio Diomedéa consegue quase todas as temporadas arranjar um anime para ficar colocado nas posições mais baixas. Esta temporada apresentou Fuuka, uma adaptação de um mangá homónimo e que tem o seu quê de reputação (positiva).

 Confesso que a minha primeira impressão do anime foi bastante positiva pois o anime parecia que iria ser um romance pouco genérico entre um tipo que anda sempre com o nariz colado ao telefone a ver o Twitter e uma rapariga que nem sequer telemóvel tem e que ouve música através do seu leitor de CDs portátil, mas não podia estar mais enganado. Esses pequenos pormenores que eu achei que poderiam dar origem a uma história interessante foram rapidamente colocados de lado e as personagens, que ao início até eram ‘decentes’, tornaram-se simples, genéricas e aborrecidas.

Fuuka acabou por ser um anime de romance super genérico com um drama bastante forçado sobre o triângulo amoroso com Haruna, a sua amiga extravagante Fuuka e a sua amiga de infância e ídolo famosa Koyuki, tudo isto com um pouco de música à mistura. No final, tudo parece forçado e a história progride aos pontapés com diversas faltas lógicas devido à pressão de acabar.

A animação é pouco fluída e os visuais são minimamente decentes com um ocasional momento ecchi para tentar atrair visualizações e (visto que este é um anime sobre música) tanto a banda sonora (como toda a produção) é demasiado melodramática e parece bastante fora do lugar. 

Em geral, Fuuka não teve nada que fizesse o anime sobressair, apesar de ter tido potencial para mais.

Escrito por António Santos


 12 – Masamune-kun no Revenge

Silver Link é um estúdio muito instável; por vezes lança animes sólidos e interessantes, enquanto por outras lança algo que até tem potencial mas que acaba por se perder no caminho e no final é só chato e aborrecido. Masamune-kun on Revenge pertence ao segundo caso.

Masamune, que na sua infância era gordo, foi rejeitado pela menina quase perfeita Aki Adagaki (que por hábito rejeita quase todos os homens). Reencontrando-se mais tarde, Masamune (agora uma representação do estereótipo do ‘homem perfeito’) vai tentar conquistar o coração de Aki para, como vingança, a rejeitar, como esta tinha feito na sua infância.

A série tem uma premissa invulgar, algo que a poderia beneficiar mas em vez disso torna-se (bastante cedo até) uma série de romance genérica, cliché e previsível. Masamune-kun no Revenge tenta agradar uma larga audiência e fá-lo através da introdução do elemento de harém, com um monte de raparigas que preenchem vários dos diversos arquétipos femininos conhecidos (a mãe dele é uma loli ainda maior que a irmã mais nova dele, porquê?!).

Apesar de tudo, o anime continua um mediano anime de romance, com personagens toleráveis e um enredo com alguns momentos interessantes; até chegar a parte final do anime em que, para evitar spoilers, vamos dizer que aquilo começa a tentar demasiado e torna-se forçado, chato e ‘desarrumado’.

O áudio não tem nada a destacar, mas por outro lado, a animação e os visuais são um dos pontos fortes do anime. As cores vibrantes e os desenhos bonitos com fundos que são bastantes agradáveis ao olhar, tendo sido isso que, na verdade, me prendeu a ver o anime (mais do que a história em si que já me aborrecia, honestamente).

Mesmo assim, para quem não se importar com uma história um pouco atabalhoada e genérica, e quiser aproveitar uns momentos de romance e comédia com bons visuais, não deixo de recomendar Masamune-kun no Revenge pois penso que, apesar da minha opinião, é algo que pode agradar a muita gente.

Escrito por António Santos


11 – ACCA: 13-ku Kansatsu-ka 

ACCA: 13-ku Kansatsu-ka, adaptado de um manga com o mesmo nome pelo estúdio Madhouse, fala-nos sobre o reino de Dowa, um arquipélago de ilhas (que naaaadaaaa tem haver com o Japão, que ideia?!) que se divide em 13 distritos autónomos. Apesar da existência da família real de Dowa, o reino é na verdade governado pela organização ACCA, que visa manter a paz entre os 13 distritos.

Entra Jean Otus, um prolífico agente da divisão de inspeção da ACCA, sendo o seu trabalho viajar pelos 13 distritos e fiscalizar as ações destes de modo a descobrir fraudes, assim como outras irregularidades um pouco fora da lei. Quando rumores de um coup d’état começam a surgir, associado à eminente sucessão do atual Rei, o futuro da ACCA começa a ser repensado, sendo a divisão de inspeção uma das divisões em risco de fecho. Assim, Jean é enviado a fazer o que poderá ser a última visita de fiscalização a cada um dos distritos.


Se a sinopse não pareceu muito interessante não se sintam mal, porque, hey!, produzido pela Madhouse, ao menos os visuais serão decentes… Só que nem por isso. É verdade que a arte em si e os character designs eram giros, com um estilo estilizado longe do que estamos habituados a ver, mas que não ficaram bem traduzidos quando foi altura de pôr as coisas a mexer. Além do enorme número de derp faces, era normal as personagens ficarem estupidamente deformadas quando dando uma corridinha, ou caminhando na distância. Não sei se isto será um problema que muitas pessoas encontraram no anime (ou se sou só eu que sou picuinhas com estas coisas) porque os close ups nas caras das personagens eram lindos, e não consigo mencionar o quanto gosto dos character designs e da arte em geral.

Bastante melhor que a inconsistente animação era a banda sonora, que apesar de repetir alguma faixas a cada episódio, capturou a atmosfera do anime perfeitamente.

De volta ao departamento da história, um segundo para tratar de dois aspectos importantes: o primeiro sendo as personagens secundárias. Devido ao tipo de história que ACCA é, praticamente todas as personagens que não o Jean são secundárias, ou aparecem uma vez para nunca mais voltar (como é o caso de toda a gente que conhecemos ao longo das viagens aos distritos), ou têm um papel mais central na narrativa mas são tão pouco desenvolvidos que quando fazem algo tem pouco impacto e/ou relevância porque as motivações e personalidades das personagens não são desenvolvidas o suficiente para isso (um exemplo disto é Nino, que mesmo depois de descobrirmos as suas motivações continua a ser uma personagem com pouquíssimo impacto na história porque tem pouca ou nenhuma personalidade). Este facto é agravado quando vemos o quão grande é o leque de personagens neste anime, nenhuma com personalidade ou carisma suficiente para criar uma marca forte na nossa memória.

E desiluda-se quem já está a pensar que as “personagens secundárias são um pouco transparentes mas ao menos temos um personagem principal que brilha sobre elas”. Jean é tão pãozinho sem sal como os outros (diria até que tem menos personalidade do que algumas personagens secundárias), tendo poucas ou nenhumas emoções para partilhar, e sendo um completo mistério de motivações. A sua apatia traduz-se em monotonia que, quer para a história quer para os episódios em si, torna a tarefa de os ver muito mais aborrecida.

Passando para a história em si, não há muito que se lhe diga sem spoilar alguém, mas posso afirmar que não foi bem conseguida. Mais de metade do anime consiste em acompanhar Jean em monótonas visitas aos distritos (onde nem temos tempo suficiente para ficar interessados nas diferenças socioculturais, porque já era altura de ir para o próximo distrito) e os restantes episódios tentam condensar tanta coisa em tão pouco tempo que acabam por ser uma confusão de fações e ideais para a frente e para trás, culminando no final mais anti-climático da temporada.

(^ a cima: imagens reais do Jean à procura das coisas interessantes em ACCA)

Recomendo a fãs de personagens bonitos, que não se importam com uma história que se perca pelo caminho e que não seja muito interessante.

Escrito por MurasakiHime


10 – Ao no Exorcist: Kyoto Fujouo-hen

Seis anos depois, a tão aguardada segunda temporada de Blue Exorcist (ou Ao no Exorcist) foi finalmente lançada! Desta vez o estúdio A-1 Pictures traz-nos mais uma série de Blue Exorcist, desta vez passada em Quioto, logo após os eventos finais da primeira temporada.

Lembro-me de acompanhar a primeira temporada pouco tempo depois de ter saído e o meu velho “eu” adorou este shonen centrado num exorcista que controla chamas azuis e que é filho de Satanás (não, não foi o físico bem avantajado da Shura, eu juro). A verdade é que, desde essa altura, nunca mais revi Blue Exorcist e portanto todas as ideias que guardo sobre a série são as memórias do quão adorei o anime na altura. Assim, estava com imensa hype para esta segunda temporada e, talvez por isso, foi uma das séries que mais me desiludiu.

 

Blue Exorcist: Kyoto Fujouo-hen não me pareceu tão bom, de longe, como a primeira temporada. Não sei se é por ter mais “experiência” agora e não ter reconhecido que (na altura) a primeira temporada também não era nada por aí além, ou se esta temporada é realmente inferior. Contudo, não é um mau anime: a história é menos interessante, mas os últimos três episódios da série conseguem recuperar quase do aborrecimento que senti durante mais de metade dos episódios.

A animação é decente, está dentro da média dos outros animes, não se mostrando pior nem melhor que a maioria. O que realmente merece menção é a banda sonora, principalmente as faixas utilizadas durante o clímax do anime, que estão a par da primeira temporada e que ajuda imenso a recuperar o ambiente de ação que este anime é suposto ter.

Escrito por António Santos


9 – Gabriel DropOut

O estúdio Doga Kobo entra nesta temporada com Gabriel Drop Out, a clássica história de anjos e demónios a fazer estágios no mundo humano que dá para o torto. Seguimos Tenma White Gabriel, um anjo exemplar, até, como seria de prever neste tipo de coisas, descobrir MMOs e virar hikikomori em dois tempos.

O cast de personagens é completo com Shiraha Ainsworth Raphiel, um anjo quase tão corrompido como Gabriel, que adora aproveitar-se das misérias dos outros como meio de entretenimento; Kurumizawa McDowell Satanichia, um demónio autista que acha que é a maior do bairro do inferno mas acaba sempre por cair vítima dos planos de Raphi e fazer figuras tristes; e finalmente, Tsukinose April Vignette, o total oposto de Gabriel, uma vez que é um demónio que não tem jeito nem interesse em fazer más ações (ao menos a Satanichia tenta).

A história é praticamente episódica, sem grande continuidade, focando-se mais nas interações entre personagens e na comédia daí resultante. Como uma comédia, o anime nem sempre tem sucesso, mas conseguiu-me arrancar algumas gargalhadas nem que seja pelo quão ridículas algumas cenas eram.

Em termos de produção,  a animação é bastante mediana, não tendo nada a destacar. O mesmo acontece com o departamento de som, só deixo a nota que a voz da Satanichia me deu cancro terminal e vou morrer em breve com o quão irritante era (talvez me safe se não tiver de ver uma segunda temporada disto)

Recomendo a fãs de moe e comédia que estejam muito aborrecidos e não se importem de ver aquele clássico setting de demónios VS anjos que nunca vai a lado nenhum porque os papéis estão todos trocados.

Escrito por MurasakiHime


8 – Youjo Senki

Nesta temporada houveram algumas estreias de novos estúdios, sendo que o Quebra-Nozes desta secção é o estúdio NUT (eu atiro-me da ponte sozinho, obrigado), com o seu anime de estreia: Youjo Senki. Adaptado da light novel com o mesmo nome, traz-nos um setting com algumas semelhanças à Primeira Guerra Mundial, mas com magia à mistura nas forças militares (que mais parece tecnologia avançada do que magia, diga-se de passagem).

No ponto inicial da história, encontramos o nosso protagonista (sim, não é engano, é mesmo um “ele”) na sua primeira vida, como um empregado de escritório de sucesso; severo e empenhado em seguir as regras da empresa e a autoridade. Tratando os recursos humanos como meros recursos dispensáveis e não como pessoas, acontece que num fatídico dia, o seu desagrado com um trabalhador em particular levou o nosso protagonista (cujo nome nunca se chega a saber) a despedi-lo como alguém deita no lixo algo que já não lhe é útil.

O que ele não esperava era que o despedido, numa reviravolta alimentada por descontrolo emocional e uma pitada de vingança, causasse um acidente que viria a provocar a morte prematura do seu agora ex-superior. Nos seus momentos finais, o protagonista experiencia um primeiro contacto com uma entidade desconhecida auto-intitulada de “Deus”, que mostra o seu desagrado com a sociedade atual, sem fé, querendo mudar este facto.

O protagonista recusa-se a acreditar em Deus e este atrito resulta na sua reencarnação para um corpo de criança (loli gender bend) num mundo alternativo onde há uma guerra com várias nações envolvidas e existem forças militares de elite que usam magia no campo de batalha, sendo que apenas certas pessoas têm o dom de conseguir usar magia desse modo. O “Deus” assim quis que a protagonista tivesse esse dom e que pudesse aumentar as suas capacidades mágicas sempre que dissesse uma oração em nome de Deus Todo Poderoso (e desde que fosse à missa todos os Domingos). Neste ponto é óbvio que a protagonista, Tanya von Degurechaff, detesta a entidade desconhecida, ainda mais com o decorrer da história, quando “Deus” decide dar poderes ou conhecimento divino a outras pessoas de modo a impedir que Tanya tenha uma nova vida descansada caso não proclamasse a sua “nova” fé de bom grado.

A nossa protagonista Tanya Degurechaff , uma jovem de 9 ou 10 anos, não tem qualquer consideração pela vida humana. Agressiva e sádica como o próprio Diabo, Tanya luta pelo Império, uma nação com grande poder militar que encara a guerra com uma atitude racional e pragmática; aplicando estratégias militares elaboradas de grande escala.

Torna-se algo óbvio ao longo da série que este “Império” apresenta-se como uma versão alternativa do Império Alemão e do Império Austro-Húngaro, especialmente quando é dada a oportunidade de comparar a disposição territorial no anime com a dos impérios na Primeira Guerra ao observamos o mapa de Europa nas explicações estratégicas.

Para além de referências à Guerra Mundial, são também abordados temas como a sanidade mental dos soldados no campo de batalha, ou o constante debate interno dos valores morais de cada pessoa e as ações que podem tomar para defender os seus princípios, assim como a crueldade e destruição da guerra.

Toda a premissa à volta do papel de Deus é apresentada inicialmente com alguma profundidade, mas ao longo do anime parece ficar esquecida, focando-se os episódios mais no quotidiano dos soldados e na construção do mundo e da guerra em si. Só mais para o final desta temporada é que a premissa ganha alguma conexão com o resto quando é dada a moral da história: “Os seres humanos são criaturas que, quando consumidos por raiva e ódio, abandonam a razão e a lógica”. Isto verifica-se não só pelo acidente causado na vida passada da protagonista, como também por outras situações passadas no campo de batalha.

Se querem que eu seja sincero, a minha impressão inicial não foi tão positiva como a de muita gente no início da temporada. A animação não é nada de especial, o CG também não, a composição musical também não é muito memorável, personagens nada fora do vulgar com a exceção da protagonista que parecia sempre um bocado forçada, a história não parecia ir a lado nenhum e a sua premissa inicial parecia estar esquecida… Contudo, neste último ponto confesso que estava errado. Ao chegarmos ao final da temporada, vemos a história a ganhar forma e já se sente algo para além de catering para fãs de tudo o que é militar (que mesmo assim nem chega a esse ponto porque o anime não vai tanto em detalhe quanto a isso em nada em particular), tendo alguns momentos de reflexão sobre determinados valores morais associados à guerra. É pena que tenha demorado a fazer esse desenvolvimento, algo que na minha opinião poderia ter corrido melhor.  Agora só nos resta orar para que a segunda temporada chegue mais rápido!

Escrito por TheRedKraken


7 – Onihei

Para fazer as delícias de fãs de animes históricos, temos Onihei, produzido pelo estúdio M2 (que aparentemente foi criado para fazer este anime… O que andas a fazer com a vida Maruyama Masao ???). No Japão feudal do século XVIII, acompanhamos Hasegawa Heizo, chefe do Arson Theft Control, à medida que captura criminosos e vive a sua vida tranquila com a mulher e filhos nos tempos livres.

A história é bastante episódica, contudo os eventos e/ou personagens transitam de uns episódios para os outros, criando uma continuidade bastante leve e agradável, sem sentirmos a pressão de saber ou decorar o nome de todas as personagens. Vários temas são abordados, como a honra ou amor, mas nenhum é barrado na nossa cara, como que impondo profundidade a estes. Eles apenas existem na história tal como existem na nossa vida: todos sabemos que eles lá estão mas ninguém passa a vida a pensar neles.

A animação é bastante inconsistente, saltando de cenas de ação com intensa animação e detalhe, para cenas de ação que consistem apenas de panning shots; variando entre still shots lindos, e derp faces hilariantes, isto para não referir as multidões em 3D, que não eram nada diegéticas e saiam ainda mais à vista do que ter menos pessoas na cena.

A banda sonora é um dos pontos fortes da série, dando uma atmosfera caraterística, com a sua vibe de Jazz. A edição de áudio também está particularmente bem conseguida, com uma incrível atenção ao detalhe quer em intrincadas cenas de ação quer nos momentos mais banais, como o eco da porcelana numa chávena de chá.

Pode parecer que, pelo que disse até agora, Onihei não é mais do que o habitual anime histórico, mas isso não é de todo verdade. Apesar de ser mediano em muitas coisas, o anime desevolve uma identidade própria, quer pela arte bastante caraterística, quer pelo tom geral do anime, em grande parte suportado pelo seu fantástico leque de personagens.

Sim, o foco principal de Onihei são realmente as personagens e a forma como estas representam a natureza humana nas suas mais diversas e puras formas. Não existe alguém puramente mau ou puramente bom, o anime garante que toda a gente tem um pouco de ambos, e que ninguém é incorruptível. Não existe outro caso que melhor exemplifique isto que Heizo, o próprio Onihei: por um lado, famoso por erradicar praticamente  todo o crime do distrito de Edo, uma rígida e imperdoável autoridade (tendo um papel quase de super-herói, fazendo a vida negra ao vilões); quando por outro lado incorpora alguns dos criminosos que apreende na sua brigada, como espiões, travando relações de amizade com criminosos em diversas ocasiões, não só por curiosidade em conhecer como pensam e agem como também pelas capacidades e conhecimento que têm do “ofício”. Onihei caracteriza alguém que compreende que segregar criminosos não é a solução, mas sim compreendê-los e ajudá-los a afastarem-se da vida do crime e seguirem vidas mais honestas (um pouco como um certo Iroh que eu conheço).

Recomendo realmente a fãs de animes com uma atmosfera mais tradicional (não vão encontrar clichés ou reações exageradas), de animação menos moe, e de história e música mais calma. Um bom anime para relaxar e deixá-lo levar-nos ao seu mundo, algo que não parece completamente impossível, devido ao incrível realismo da história e personagens.

Escrito por MurasakiHime


6 – Demi-chan wa Kataritai

Produzido pelo estúdio A-1 Pictures, Demi-chan wa Kataritai reanima as monsters girls que tinham morrido um pouco depois da curta exposição à popularidade com Monster Musume no Iru Nichijou, mas com muito menos fanservice.

Ao contrário de Monster Musume, Demi-chan foca-se quase inteiramente em tornar as monster girls (neste caso tratadas como Demis) o mais reais possíveis (por isso esqueçam as slime girls e centaurus! Aqui só coisas “normais”!), explorando a fundo questões biológicas, físicas e sociais que advêm de ser uma monster girl.

Entra Takanashi Hikari, uma vampira traquina e bastante happy-go-lucky; Machi Kyouko, uma tímida dullahan; e Kusakabe Yuki, uma snow woman (um ser tradicional da mitologia japonesa, conhecida por habitar locais frios e congelar pessoas…?) com problemas de auto-estima; Satou Sakie, uma succubus que trabalha na escola como professora de matemática; e Takahashi Tetsuo, um professor de biologia com um conveniente interesse em demis.

A história tem pouca ou nenhuma continuidade, focando-se mais no estudo de Takahashi sobre a natureza das raparigas, de modo a compreender (e ajudá-las também a compreender) melhor as pecularidades de cada um dos tipos de demis. Graças a isto temos bons momentos de comédia, com umas pitadas muito leves de romance e drama.

A animação e som são em tudo bastante medianos, algo de estranhar para uma produção da A-1 Pictures, mas não que isso pudesse ter favorecido muito o anime. Demi-chan é um anime mediano que sabia que não ia ser muito mais, e isso fez com que cumprisse com a sua tarefa de ser um simpático slice of life sobre monster girls numa perspectiva mais realista e humana do que o normal.

Recomendo a quem goste de animes calmos, com pouco a acontecer, mas com especiarias suficientes para não nos aborrecermos, especialmente se tiverem algum interesse em monster girls (excepto se for só interesses NSFW, nesse caso recomendo Monster Musume, que ficarão muito mais bem servidos do que com Demi-chan ( ͡° ͜ʖ ͡°) ).

Escrito por MurasakiHime


5 – Kono Subarashii Sekai ni Shukufuku wo! 2

O estúdio Deen traz de volta Kono Subarashii Sekai ni Shukufuku wo (ou simplesmente Konosuba), uma das melhores comédias dos últimos anos, voltando esta temporada para mostrar que continua forte e que não tenciona deixar esse título na prateleira.


O anime continua com exatamente a mesma premissa da primeira temporada, mostrando as peripécias do quotidiano da tão estranha party de Kazuma, ao mesmo tempo que parodia diversas temáticas e outros animes. O cenário é contudo diferente da primeira para a segunda temporada: Kazuma, juntamente com Aqua, Megumin (best girl), Darkness e Wiz, decide tirar umas férias do seu trabalho de aventureiro e ir passar uns dias à cidade termal onde o culto de Aqua é bastante influente.

O anime continua engraçadíssimo e o seu nível de produção continua espetacular. O fanservice continua bastante presente e o design dos personagens continua a deformar com cada frame (ambos claramente intencionais para auxiliar a comédia); a animação continua fluída e existe uma enorme atenção ao detalhe que é algo que muitas vezes falta em animes muito mais sérios e que deveriam ter isso bem assente. A banda sonora e a utilização do áudio também é bastante bem utilizada para criar os momentos de comédia, como para criar excitação nos momentos mais épicos do anime.

Algo a referenciar é o facto deste anime, apesar de ser uma comédia completa e de parecer que não quer saber de mais nada para além disso, tem um character development bastante presente (apesar de ser tão gradual que podemos não nos aperceber disso à primeira). Na verdade, Konosuba consegue ser um anime de paródia que consegue rivalizar (e mesmo superar) muitos animes sérios em certos pontos que são os alicerces de muitos animes sérios de ação. O opening é algo de extraordinário tanto a nível de animação, áudio e especialmente em direção, ficando apenas atrás do opening de Shouwa. O ending é igualmente um dos melhores da temporada.

Concluindo, Konosuba é consistente na sua premissa, tendo uma história simples, mas coerente e sólida, sem muitos loop holes. Tem um character development tão natural que por vezes não damos por ele e tem momentos que contrastam com o seu género principal mas mesmo assim consegue executá-los com excelência. O único facto negativo (que mereça atenção) é mesmo o anime ter apenas dez episódios, não deixando de ser claramente um dos meus favoritos de temporada.

Escrito por António Santos


4 – 3-gatsu no Lion

Do autor do mangá de Honey and Clover, temos a adaptação do estúdio Shaft de 3-gatsu no Lion, uma história igualmente deprimente, mas desta vez sobre shogi em vez de artes (apesar de todos os que viram, saberem bem que Honey and Clover é de quase tudo menos artes em si XD).

Acompanhamos a vida de Kiriama Rei, que depois dos pais morrerem foi adoptado por um amigo do seu pai, de quem se tornou aprendiz de shogi, tornando-se profissional pouco tempo depois, durante o ensino básico. Após alguns conflitos com os filhos do seu professor, Rei decide viver sozinho, isolando-se de tudo e todos e focando-se unicamente em shogi. Uma coisa leva a outra, e Rei acaba por conhecer a família Kawamoto, cujos pais também faleceram, formando-se laços resultantes da partilha de uma dor comum. Rei acaba por ajudar as irmãs Kawamoto um pouco financeiramente, e elas garantem que o jovem não se isola tanto (e come outras coisas que não noodles instantêneos). 

Paralelamente, temos outras 2 narrativas na vida de Rei: a sua relação com a escola e a sua relação com o shogi. Na escola Rei está sempre sozinho, visto que não pertence a nenhum clube e está sempre focado nos jogos de shogi, acabando por faltar a bastantes aulas (o que a certa altura o coloca em risco de chumbar o ano, não fosse o professor fanboy de shogi a salvar-lhe o couro…). A posição de Rei face ao shogi é inicialmente a mesma que na escola, tentando alienar-se dos outros jogadores. Contudo, uma série de jogadores mais extrovertidos tomam como a sua razão de viver garantir que Rei nunca está sozinho e abandonado (sim Nikaido, estou a olhar para ti).

A história do anime é bastante simples, sem plot twists nem nada do género; é simplesmente observarmos a vida de Rei ao longo de um ano, assim como os jogos que joga, as pessoas que conhece ou com quem comunica. Através disto compreendemos um pouco do que vai na cabeça do jovem, o que só por si já tem história suficiente.

O paralelismo feito com Honey and Clover não foi por acaso, uma vez que tal como esse anime, 3-gatsu no Lion também é mais sobre a perspectiva que os personagens têm da vida em geral, assim como o contraste entre diferentes vivências que impactam Rei. Apesar de ser uma história sobre shogi, não é exactamente sobre shogi, sendo o jogo tomado mais como um personagem do que como parte da história em si (tal como a arte não era o foco principal em Honey em Clover, mas sim a interpretação que cada personagem tinha dela). Apesar do anime explicar brevemente as regras do jogo de forma até bastante diegética (utilizando como desculpa a explicação das regras do jogo a outras personagens inexperientes), as técnicas e estratégias nunca são muito importantes, sendo que é colocado mais ênfase nas motivações de cada personagem durante o jogo, assim como a bagagem sentimental que carregam nesse momento.

Em termos de animação, diria que a Shaft fez um bom trabalho com a adaptação dos character designs, elevando a qualidade do anime em cenas normais, assim como aumentando o impacto nas cenas mais surrealistas representativas das lutas interiores dos personagens. A direção de Shinbou Akiyuki é facilmente identificável em algumas cenas, contudo o tom geral do anime mantém a mesma vibe de Honey and Clover, algo que pessoalmente apreciei bastante, uma vez que é uma mistura de drama e comédia que funciona bastante bem.

Recomendo a fãs de Honey and Clover e de slice of life realistas, assim como de arte fofa e de derreter o coração. Não esquecendo o tom deprimente, fãs de histórias com um toque muito humano também irão apreciar 3-gatsu no Lion. Exclusivamente, recomendarei a quem tenha gostado de 3-gatsu que vá ver Honey and Clover, uma vez que partilha o estilo de arte e comédia mas também muitas das temáticas.
Para os interessados, uma segunda temporada foi anunciada para a próxima temporada de Outono.

Escrito por MurasakiHime


3 – Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu: Sukeroku Futatabi-hen

Um ano depois, o estúdio Deen volta para terminar a história sobre rakugo (entre outras coisas) que deu a volta a todas as expectativas e que tem dado que falar nestes últimos 12 meses.


Esta segunda temporada de Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu devolve-nos depois do final do flashback com que terminámos a temporada passada, ou seja, um Yakumo com os pés para a cova (a querer “morrer e levar o rakugo consigo”), um Yotaro a subir na carreira como aprendiz do aparente último grande nome do rakugo, e Konatsu, trabalhando part-time como geisha, alimentando o seu ódio contra Yakumo.

É um pouco difícil falar desta segunda temporada sem spoilar quer a primeira temporada quer a segunda temporada em si, porque pouco acontece que não tenha um grande impacto na narrativa. Contudo, posso dizer que nesta segunda parte temos uma maior percepção sobre a psique de cada um dos personagens, as influências que exercem uns nos outros, a forma como o passado trágico os (de)formou e como lidam com os fantasmas que os assombram.

Isto não é mais verdade para nenhuma outra personagem do que para Yakumo, cuja personalidade vemos a abrir-se como um leque quando colocado face a face com Konatsu ou Yotaro, que trazem à superfície diferentes lados do seu “eu”. Lados que no fim acabamos por encaixar na imagem geral, donde temos um fantástico quadro do que é a natureza humana e uma personalidade cuidadosamente construída, com motivos meticulosamente definidos.  E isto não acontece apenas com Yakumo. Este nível de detalhe é colocado em todas as personagens principais (e até algumas secundárias, como Matsuda). De novo, não é possível ser mais específico, para não correr o risco de dar spoilers a ninguém (gomenasorry).

Em termos técnicos, o anime conseguiu superar-se, mesmo mantendo a qualidade de animação praticamente igual à da temporada passada; a direção melhorou substancialmente (talvez em parte devido à alteração de diretor, de Omata Shinichi – diretor da primeira temporada- por Mamoru Hatakeyama – diretor da segunda temporada), contudo mantendo presente a atmosfera da primeira temporada. A alteração de diretor é principalmente notável nas transições, como também na forma como as cenas de rakugo estão cortadas (um ponto alto da temporada passada que apenas foi melhorando ao longo dos novos episódios), que me fez ficar completamente imersa nas histórias, principalmente a representação de “Shinigami” (cuja interpretação de Yakumo no final do episódio 9 se tornou uma das minhas cenas favoritas não só do anime, como de entre todas os animes que já vi).

No campo do som, a banda sonora continua no topo da temporada, como das melhores e das que melhor acompanham o ambiente do anime em questão. Destaque para o opening, que esta temporada teve uma animação espetacular a acompanhar a música excepcional. Só o opening merecia uma análise por si, de tão cheio de simbolismo e significado que está.

Recomendo vivamente, quer a fãs da primeira temporada quer a novos espectadores (desde que começem pela primeira temporada como é óbvio) que gostem de histórias que acompanhem as personagens, de animes com ambiente contagiante, assim como algum (bom) drama a acompanhar.

Escrito por MurasakiHime


2 – Kuzu no Honkai

Kuzu no Honkai foi uma das entradas principais desta temporada, aclamado por muitos pelo seu retrato “realista e cru” do que são as relações no auge hormonal da adolescência e ignorado por muitos que apenas viram mais um anime “cheio de drama sem sentido”.


No final do dia, qual das duas vertentes se aproxima mais ao que é Kuzo no Honkai na verdade? Bem… Depende um pouco de gosto e experiências pessoais. Sim, esta pode não ser a resposta que mais agrade, mas é a que eu considero mais correta. Na verdade, Kuzu no Honkai é uma história movida pelas suas personagens, que interagem e se desenvolvem ao longo da história (com algum drama romântico à mistura). Se esse drama romântico for demais para o teu gosto, então a história provavelmente não vai ser interessante e vai apenas parecer que as personagens não vão a lado nenhum e apenas andam em círculos (algo que na verdade acontece um bocado, mas é uma das mensagens da série).

Mas estou a pôr a carroça à frente dos bois aqui por um segundo. Vamos começar pelas trivialidades: Kuzu no Honkai foi produzido pelo estúdio Lerche e adaptado de um mangá do mesmo nome, que terminou recentemente. Tem associados os géneros de romance, drama, escola e seinen.

Agora: a premissa do anime, que não é nada mais complexo que um grande triângulo amoroso (ou neste caso algo como um quadrado? um hexágono?). Yasuraoka Hanabi é uma jovem que sempre esteve apaixonada pelo seu vizinho (e agora seu professor), Kanai Narumi, mas os seus sentimentos não são correspondidos pois Kanai, ignorante do afecto de Hanabi, está caídinho pela nova professora de música, Minagawa Akane. Do outro lado do “quadrado” amoroso, temos Awaya Mugi, apaixonado por Akane desde que esta foi sua tutora no básico. Quer Hanabi quer Mugi sabem que o seu amor nunca será correspondido, e acabam por passar bastante tempo juntos, cada um admirando o seu amado. Mas, como é óbvio, no secundário as coisas nunca são assim tão simples e nem sempre é fácil controlar as hormonas aos saltos; assim, Hanabi e Mugi entram numa relação (puramente) física na tentativa de deixarem de se sentirem tão sós e abandonados. Para adicionar mais uns jogadores neste já complexo jogo, entram Moca (a clássica amiga de infância de Mugi, que quer ser a princesa para a imagem de príncipe que ela tem dele) e Ebato (amiga de Hanabi que acaba por se apaixonar por ela).

Com uma premissa destas, as personagens poderiam facilmente ser tratadas como estereótipos, não sendo mais que genéricas. Contudo, se esse fosse o caso, Kuzu no Honkai não estaria tão alto na lista, pois não? A verdade é que, dado tempo, descobrimos diferentes lados de praticamente todas as personagens e que nem todas (quase nenhuma, para dizer a verdade) têm intenções puras. As personagens têm por norma várias camadas, que no fundo justificam as suas ações e motivações. Não é o cast mais interessante ou bem escrito desta temporada (esse prémio vai para Showa Genroku Rakugo Shinjuu: Sukeroku Futatabi-hen, competição muito dura de roer em termos de qualidade narrativa e de personagens, mas isso não é para esta entrada) mas está muito acima do que é mediano, com uns tons melancólicos que adorei, fazendo lembrar o manga Oyasumi Punpun (que recomendo bastante).

Apesar de ser uma série dramática não diria que tem tanto drama como é acusada de ter. Apenas acontece que as personagens estão metidas até aos cabelos em relações e paixonetas das quais não se conseguem (ou querem) livrar, o que dá um ar de futileza bastante grande à história, quando na verdade é um conto sobre aprender a lidar com os outros e os seus sentimentos, assim como aprender a deixar o passado para trás e ter a coragem de começar de novo.

Já referi que acompanho o mangá há sensivelmente dois anos? Acho que esta é uma boa oportunidade, porque queria referir o quão fiel o anime foi ao mangá. Sem exagero, havia cenas que eram quase as páginas do mangá, painel por painel. Apesar disso acho que o anime conseguiu criar uma atmosfera melhor do que o mangá, sendo esta mais melancólica, ao ponto de ser quase deprimente; isto é em grande parte devido não só à música como ao voice acting, que estava do melhor. As vozes assentavam nas personagens que nem uma luva, e eram tal e qual como eu as tinha imaginado na minha cabeça ao ler o mangá (ou melhores, como no caso de Akane).

Talvez devido ao tipo de adaptação ou à falta de recursos, a animação nem sempre era a melhor, mas a arte estava bastante sólida e, tirando uns quantos abortos nas multidões, foi um anime bastante agradável à vista, principalmente quando introduziam aqueles still shots super detalhados das personagens.

Gostei bastante do final da série, algo pelo qual estava um pouco ansiosa, uma vez que o anime estava a chegar ao fim e o mangá ainda não tinha terminado (eu não estava a exagerar quando disse que o mangá tinha terminado recentemente, terminou cerca de 4 dias antes do último episódio ter saído). O final foi bastante fiel ao tom que o mangá estava a assumir no final, e gostei de alguns pormenores como o corte de cabelo de Ebato, e do restauro da sua relação com Hanabi (gotta have the ship sailing am I right?) que não estava a espera.

Recomendo a fãs de drama e romance, mas não só. Não se deixem eludir pelas tags e dêem uma oportunidade a Kuzu no Honkai, que entre arte, música, história e personagens devem encontrar algo para o vosso gosto.

Escrito por MurasakiHime


1 – Kobayashi-san Chi no Maid Dragon

Kobayashi-san Chi no Maid foi um dos animes mais badalados esta temporada, quer devido a piadas feitas fora do contexto da série, como da utilização das próprias piadas fora de contexto. Conta com os géneros slice of life, comédia e fantasia.


O título Miss Kobayashi’s Dragon Maid (tradução do título) resume bastante bem a história básica do anime: uma banal empregada de escritório – Kobayashi – “encontra” (spoilers para a história, por isso vamos deixar as coisas nestes termos) uma jovem que se torna sua maid – Tohru, um dragão – (peço desculpa pela falta de tradução mas “empregada” não descreve exactamente o que Tohru é), e a partir daí a sua vida tranquila é invadida aos poucos por seres fantásticos.

A história é um pouco episódica, acompanhando diversos eventos nas vidas das personagens mais do que uma história maior e/ou mais complexa. Contudo, há pequenas pistas que nos ajudam a criar uma imagem mais completa do que realmente se passa no outro mundo donde Tohru e companhia vieram.

O foco do anime não é tanto a história, mas sim as personagens em interação e os cómicos cenários que daí resultam. Apesar do elevado conteúdo de comédia, este anime consegue combiná-lo bastante bem com alguns momentos mais sérios, dando uma maior profundidade não só às personagens como ao anime em si.

Produzido pelo estúdio Kyoto Animation, a animação é de certo um dos pontos altos da série, quer nas cenas de ação intensas, quer nas mais mundanas e calmas. Os character designs estavam fantasticamente adaptados para anime, representando bem a mudança de tom e aura das personagens quando mostram o seu lado mais “dragonástico” (sim, eu sei que não é uma palavra) e ameaçador.

É um anime delicioso, que apelará a um grande leque de fãs (parte da razão pela qual está em primeiro lugar neste top), mas mais que isso é um slice of life muito bem conseguido, que nos dá personagens minimamente interessantes, que nos faz querer sempre ver mais um episódio.

Escrito por MurasakiHime


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