Visita Guiada

Visita Guiada: Iberanime LX 2017

Mais um ano, mais um Iberanime, mais uma visita guiada. Este ano a parada subiu ainda mais com a junção entre Iberanime e 4Gamers, ocupando estes o MEO Arena e a sala Tejo (respetivamente). Com uma afluência total de cerca de 35 mil visitantes, esta foi a maior edição do evento até agora, não só em termos de público como de espaço. Mas terá sido a melhor? A equipa do AniHome passou o fim-de-semana por lá para descobrir.

A chegada à fila no sábado de manhã mostrava que a falta de informação já tinha dado lugar a confusão quando nos deparámos com uma aparente fila única para os dois eventos distintos (cada um com o seu bilhete único, o que impediria a passagem para o outro). Além da incerteza sobre a comunicação entre os eventos, a junção dos seus visitantes fez com que às 9h00 a fila já tivesse atingido proporções enormes. Isto já não se verificou no segundo dia com a criação de mais filas. As portas abriram as 10h00, introduzindo aos check ups de segurança, onde as mochilas eram revistadas. Isto seria uma boa medida se todas as pessoas fossem revistadas da mesma forma, o que não foi caso, sendo que podíamos entrar de manhã com uma garrafa de água para depois ficarmos sem ela quando voltamos a entrar no evento há hora do almoço, por exemplo. Estes problemas de falta de comunicação sobre o que era de facto permitido estenderam-se pelos dois dias e, apesar de não serem muito graves, deixam um gostinho amargo (ou salgado) na boca.

Uma vez lá dentro, podemos ver que o anel superior se mantém igual ao ano passado, com as bancas de artistas e karaoke. Já a zona inferior sofreu algumas alterações. A primeira a notar foi o acesso que desta vez foi feito pelas escadas mais periféricas, maiores que as do ano passado (um dos grandes problemas apontados). A segunda foi a divisão do espaço em si: o palco principal pareceu ter sido reduzido, diminuindo bastante o espaço de bancadas com a remoção das bancadas mais baixas (quase ao nível do palco), o que levou a uma saturação dos lugares deste palco.

Do outro lado, estavam as bancas. Este ano não eram só em maior número, mas a diversidade de merchandise disponível era também muito maior. Longe vão coisas relacionadas apenas com anime, agora temos séries, filmes, jogos de tabuleiro e videojogos como Harry Potter, Senhor dos Anéis, Breaking Bad, Adventure Time, Undertale, Magic the Gathering, Dungeons and Dragons e também K-pop. Para além do merchandise diverso temos outra novidade: o wrestling. A melhor maneira de descrever a secção de wrestling do ‘Iber’ é meme. Desde a promoção feita no site oficial do evento até às atuações em si, praticamente tudo sobre o wrestling tinha o seu “quê” de comédia. Outra mudança em relação ao ano passado foi o palco secundário. Como passaram os eventos relacionados com os e-sports para o evento do 4Gamers, o palco secundário ficou livre para outro tipo de animações. O Para Para Dance, por exemplo, foi movido para esse palco que é mais confortável e espaçoso e permite que uma grande quantidade de pessoas estejam à vontade para as coreografias. Uma grande mudança em relação ao ano passado em que o pessoal parecia sardinha em lata num palco bastante pequeno.

Falta ainda falar da outra vertente do evento, mais virada para os videojogos e e-sports, o 4Gamers. Em grande parte, o 4Gamers pega na fórmula do ‘Iber’ e dá-lhe um twist de gaming com campeonatos de League of Legends e CounterStrike, bancas de jogos (com títulos retro e mais recentes) e material informático diverso, desde peças específicas como placas gráficas e discos até peças mais comuns como ratos, teclados, headsets, entre outros. Para além dos jogos disponíveis para se jogar nas bancas oficiais houve também uma galeria de retro gaming, com jogos clássicos como o Pong, Pac Man e os primeiros Super Mario e Sonic que estavam disponíveis numa diversidade de consolas para todos experimentarem. Os expositores de computadores permitiam aos visitantes experimentar as máquinas em jogos mais recentes (LoL, CS ou Minecraft).

Apesar de estar um pouco mais mainstream, mais populado com “normies” (reeeee), o Iberanime deste ano satisfez a maior parte das espectativas em termos de evento em si. Isto só é provado com o efeito lata de sardinha que lá dentro se fazia sentir. Em comparação com ano passado estava muito mais tolerável, mas para os portadores de cosplays com props foi ainda difícil mexermo-nos comfortavelmente com as pessoas que corriam de encontro a nós e quase nos partiam os props.

Até agora só falámos do que estava disponível nos recintos e não da programação em si, isto porque houve uma clara diferença de “qualidade e diversidade” entre os dois eventos. Enquanto o 4Gamers tinha uma série de workshops sobre game development que indicavam desde como fazer um jogo vender até como criar personagens e música para um jogo; No ‘Iber’ tínhamos os clássicos Para Para Dance, concursos de AMV, CWM (Cosplay World Masters), Noodle Monster, talkshows com convidados e concertos. Contudo em termos de workshops, o ano passado tinha um programa mais completo e relacionável com a indústria de anime (se calhar fui a única que achou bastante piada a ir para o ‘Iber’ ver filmes de anime com os meus amigos e ir aos workshops sobre como a indústria do anime funciona e como é feita a animação).

Concluindo, fiquei com mixed feelings sobre o evento deste ano. Gostei imenso da maior variedade de merchandise e do facto de ter também à minha disposição um evento dedicado completamente a gaming separado do espaço do ‘Iber’. Por outro lado, a diminuição de lugares no palco principal assim como a má acústica em ambos os palcos fez com que a programação perdesse parte da magia por causa de um mau lugar, que muitas vezes significava não conseguir ouvir praticamente nada. A confusão com as filas e o check up não ajudou muito à experiência geral da convenção, principalmente porque eles não revistavam tudo e apenas embirravam com algumas coisas em particular e havia incoerência nas revistas. Se é para revistar mal mais valia não revistarem de todo, porque só chateiam as pessoas e não impedem a entrada de nada perigoso. Apesar de tudo isto, continua a ser um dos momentos altos em termos de conveções para quem mora em Lisboa.

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