TOP 10 Recomendados da Temporada de Verão 2017

Tendo em consideração as séries que acompanhámos durante a temporada passada, a equipa do Anihome apresenta o seu TOP 10 Animes Recomendados da Temporada de Verão de 2017. Esta foi uma temporada recheada de sequelas e por ser um top de recomendações e não um top das melhores séries, primeiras temporadas terão prioridade sobre sequelas.

10 – Koi to Uso

Koi to Uso é uma produção do estúdio LIDENFILMS, adaptando o mangá homónimo de Tsumugi Musawo.

A história passa-se num futuro próximo em que uma nova medida foi implementada de forma a aumentar a taxa de natalidade no Japão: um departamento governamental estuda e nomeia os futuros parceiros de todos os jovens quando fazem dezasseis anos. O par proposto pelo governo teria boa química e daria um casal estável, uma vez que a atribuição era feita com base no estudo das personalidades dos jovens desde uma pequena idade através de testes psicológicos, aproveitamento escolar e atlético, etc.

Koi to Uso 1

Neste plano entra Nejima Yukari, um rapaz banal, com um fraquinho secreto pela sua colega de infância, Takasaki Misaki. A história entra em movimento no dia em que Yukari completa os dezasseis anos, o dia em que espera que chegue a carta do governo revelando quem será a futura noiva. Nesse dia, o jovem confessa os seus sentimentos a Misaki que os aceita; contudo a carta que Yukari recebe tem outro nome que não o de Misaki, mas sim o de Sanada Ririna. Vemos então como Yukari gere os seus sentimento (agora ilegais) por Misaki, assim como a pressão não só dos seus pais, mas também da sociedade em geral para casar com uma rapariga que não conhece.

O que me cativou em Koi to Uso foi em grande parte a premissa, e as possibilidades de exploração de um mundo onde o amor é um conceito quase impingido, pois quem decide quem vamos amar para o resto das nossas vidas e com quem devemos constituir família é o governo. Imaginem isso por um segundo: serem destacados como futuro parceiro de alguém com quem é suposto casar e ter filhos e que podem nem conhecer. O que é então “amar” alguém? É genuíno? Ou simplesmente resulta de passar tanto tempo com uma pessoa com o resto do mundo a pressionar o facto de “vocês no futuro vão casar e amar-se”? Como será que foi a mudança da sociedade? De certeza que no início haveria oposição a este sistema, qual terá sido a abordagem do governo?

Koi to Uso 2

Talvez esteja a ser um pouco filosófica demais, mas acho que teria sido muito mais interessante do que criar todo este aparato apenas como obstáculo ao romance entre Misaki e Yukari  e que dá origem um triângulo amoroso que em vez de ser baseado unicamente nos sentimentos dos personagens envolve também a legalidade (ou falta dela) da relação entre Yukari e Misaki. Acho que o anime poderia ter tirado mais proveito do seu setting, e foi uma pena que não o tenha feito.

As personagens são maioritariamente genéricas e não têm grande desenvolvimento ao longo da série (algo que me irritou) mas assim que percebi que isto não ia ser mais nada que uma rom-com prontamente ajustei as minhas expectativas. A animação é consistente, apesar de não ser nada de outro mundo e a arte consegue ser bonita assim que conseguirmos ignorar a forma como os olhos estão desenhados.

Koi to Uso 3

Vamos agora numa tangente por um segundo. A minha relação com Koi to Uso (e quase todos os mangás que leio) foi a seguinte: 1) encontrei um título interessante online (ou foi-me recomendado); 2) li tudo o que saiu até ao momento (e aqui é que está o catch; o problema do meu hábito de binge read mangá); 3) caso o mangá ainda esteja a sair eu provavelmente nunca mais vou voltar a pegar nele porque tenho mais que fazer que esperar uma semana (ou um mês!) para que 20 páginas novas saiam para eu as ler.

É-me quase fisicamente doloroso acompanhar mangás ainda em serialização porque a recompensa pela espera não vale o sacrifício. Prefiro ler o que há e, caso ainda esteja ainda a ser publicado, deixar a história acabar primeiro e depois, sim, ler tudo de uma só vez como eu gosto!

O que é que isto tem haver com o anime de Koi to Uso? Bem, eu comecei a ler o mangá há cerca de dois anos e como devem ter percebido pelo contexto acima, li tudo numa noite, e depois nunca mais lhe toquei (podemos aproximar o estado em que eu fiquei na história a aproximadamente metade do que é contado no anime). Nesse ponto a história ainda está bastante aberta, por isso grande parte das minhas expectativas prendiam-se com ver que rumo a história que eu tinha começado a ler tomava… SPOILER: Não toma rumo nenhum porque como o mangá ainda não acabou o final foi uma coisita ambígua que quase que dá dois passos para trás em relação aos avanços que a história e os personagens tinham feito nos últimos episódios da série.

O final aberto para possíveis sequelas e para a continuação do mangá foi-me mais duro de aceitar do que o facto da história não ter aproveitado o seu máximo potencial (como acima referi), algo que eu tinha engolido ainda a ler o mangá.

Koi to Uso 4

Como nota final, acho que é um romancezito engraçado e agradável de se ver como um anime para relaxar e que vai fazer as delícias a todos os amantes do género de romance. Como não capitaliza na sua premissa de estudo social não garanto que seja um anime para audiências mais ávidas de conteúdo, mas podem ver os primeiros dois episódios e depois discutir o que acham da sociedade criada (uma vez que o anime está demasiado ocupado com triângulos amorosos para fazer isso).

Escrito por MurasakiHime


9 – Kakegurui

Kakegurui foi um dos títulos mais vistos esta temporada (entrando em cerca de 66 000 listas no MyAnimeList), contudo não me surpreendeu por aí além.

Contextualizando: o anime foi produzido pelo estúdio MAPPA, conhecido em grande parte pela qualidade e fluidez da sua animação. E nisso, concordo com a opinião pública: o anime teve sempre uma qualidade constante tendo os seus momentos de extravagância em que a intensidade quer das cores quer da fluidez da animação era linda de se ver.

Kakegurui 1

Não foi o campo visual que me desapontou, mas sim a história e por consequência, as personagens. A história é bastante genérica. O que estava em jogo pouco ou nada faz para aumentar a sensação de risco associado às apostas, as personagens eram pouco originais e uni-dimensionais, tornando a empatia com elas difícil (fazendo com que nos importemos pouco caso estas percam a aposta em questão). Alguns dos jogos e métodos de batota eram bastante interessantes, mas tudo acontecia tão rapidamente que nem tínhamos tempo de processar o funcionamento do jogo e já tínhamos personagens a explicar uma forma de contornar as regras e como ganhar, ou como o oponente estava a fazer batota.

Talvez eu esteja a ser demasiado dura, mas comparado com Gyakkyou Burai Kaiji, Kakegurui é simplesmente um pãozinho sem sal, que está mais preocupado em mostrar mamas e rabos em vez de envolver a audiência nas apostas e nos jogos, dando tempo para compreendermos o “jogo”, o que está em jogo para ambas as partes e para entrarmos na mente do protagonista.

Kakegurui 2

Em Kakegurui, nunca compreendemos bem Jabami Yumeko, a protagonista, chegando o próprio anime a afirmar que ela simplesmente não bate bem, por isso não vale a pena tentar fazer sentido do que ela faz porque ela é simplesmente viciada em apostas. Ao contrário de Kaiji que tentava sempre sair a ganhar (porque muitas vezes tinha a vida em jogo), Yumeko muitas vezes deixa as coisas à sorte, literalmente fazendo jogadas aleatórias só porque sim. Qual é a piada nisso?

Acho que não vale muito a pena falar em detalhe das personagens, mas há uma coisa que eu deixei por explicar quando categorizei a história como “genérica”: passa-se no secundário. Qual o problema? O nível de realismo que podemos associar a um bando de putos de 16 anos a apostarem milhares de euros é muito reduzido quando comparado com o tipo de cenário apresentado em Kaiji, o de um homem adulto com dívidas que as tenta saldar com agiotas muito pouco recomendáveis, pondo a própria vida em risco.

Nesta história as apostas estão integradas como parte da escola, sendo descrito como um ecossistema próprio, que permite aos alunos segregarem-se com base na sua sorte no jogo, contudo, esse tipo de cenário é algo que é muito pouco credível.

Kakegurui 3

Recomendo a quem goste de fanservice e de alguma ação associada jogos de azar, contudo recomendo que vejam Kaiji de seguida (por esta ordem pois ainda estou para ver um anime melhor  sobre apostas que Kaiji). A animação também tem os seus momentos, mas não acho que valha a pena ver tudo isto apenas por alguns segundos de sakuga a cada dois episódios.

Escrito por MurasakiHime


8 – New Game!!

Praticamente um ano depois da sua primeira temporada, New Game volta com mais moe, mais Kou de cuecas no escritório, mais nuances lésbicos e mais jogos novos (piada horrível eu sei).

Para quem não viu a sequela e ficou confuso com a introdução (ou para os esquecidos), New Game acompanha a vida na companhia de videojogos Eagle Jump, assim como as pessoas que trabalham nos diversos departamentos desta. Está longe de ser um retrato fiel à vida na indústria, mas também não é por isso que nós o vemos, sendo essas razões muito mais simples como moe, comédia ou simplesmente porque é um anime simpático e bom para passar o tempo.

New Game!! 1

Em seguimento da temporada anterior, esta temporada trata do primeiro trabalho da nossa personagem principal, Suzukase Aoba, como character designer e todas as responsabilidades que isso acarreta. Ao mesmo tempo, novos estagiários entram na empresa, dando azo a novas interações dentro do elenco. Porque no fundo é por isso que vemos New Game, pelas interações entre personagens que vão de super cómicas a momentos sentimentais bastante bem construídos. Isto para dizer que é um bom slice of life e investe nas personagens de forma tão natural que quando damos por nós estamos a divertir-nos imenso com uma coisa que é super simples e banal.

A produção continua com o mesmo nível, sendo a animação muito consistente e os characters designs sempre coloridos e apelativos, mas sem serem demasiado extravagantes. Quase que poderíamos imaginar estas personagens como pessoas reais (não fossem as duvidosas cores de cabelos de algumas delas) pela forma como são representadas e como a sua linguagem corporal as trai.

New Game!! 2

Quem já viu a primeira temporada não deve precisar de recomendação, mas talvez esta seja uma boa oportunidade para quem falhou a prequela de acompanhar a série. Se é moe, comédia e uma pitada de sentimentalismo de que andam à procura então New Game é o anime certo para se sentarem um pouco a descontrair.

Escrito por MurasakiHime


7 – Made in Abyss

Baseado num mangá de 2012 com o mesmo nome, Made in Abyss conta-nos a história de um abismo algures numa ilha no meio do oceano. Ninguém sabe quão fundo é ou como foi formado, mas apesar de ser o habitat de uma fauna e flora mortífera e de uma misteriosa maldição sobre quem quer que tente voltar a subir; as relíquias, o seu preço de mercado e a fama associada à exploração do abismo são suficientes para atrair centenas de exploradores dispostos a sacrificar a vida para chegar ao fundo, tal como Riko e Reg que procuram chegar ao final, onde supostamente a mãe de Riko os espera.

Made in Abyss 1

Produzido pelo estúdio Kinema Citrus, Made in Abyss foi dos animes com maior impacto esta temporada, por isso pode ser um pouco estranho estar tão baixo na lista. Pessoalmente, não achei que tivesse sido um anime por aí além. Talvez eu seja parcial por ter lido o mangá, mas também não achei que tivesse grande mérito como adaptação para além de publicitar o trabalho original. Acho que o anime não traz nada de novo à história, e se faz algo é suavizar as imagens e o gore.

Eu compreendo que nem sempre é possível manter o mesmo estilo de desenho quando se adapta para animação, principalmente quando a arte tem contornos pouco definidos, mas acho que o anime poliu demasiado o visual da série, tirando parte do impacto de algumas cenas, como gore, que também foram suavizadas ou completamente cortadas. Apesar disto, a censura não foi tão grande como eu receava, e até mostraram algumas das cenas mais agressivas que eu estava à espera.

Made in Abyss 2

Outro dos problemas que tive é transversal ao mangá e prende-se à história em si. Elaborando: eu não acho que a história de Made in Abyss seja boa. Não aticem as forquilhas ainda, por favor. Eu acho a história de Riko e Reg absolutamente desinteressante, e acho o mesmo dos protagonistas. São um par de criancinhas sem personalidade que têm um sonho que, em condições normais, levaria às suas mortes mas graças a uma série de conveniências conseguem sempre sobreviver e safar-se de situações mais apertadas. Estas conveniências surgem quer na forma de personagens que eles conhecem ao longo da jornada (como Ozen e Nanachi) mas também por elementos como o corpo de Reg e os seus poderes.  

O mundo de Made in Abyss, por outro lado, é das coisas mais interessantes que eu alguma vez encontrei. Não é um mundo completamente desenvolvido, uma vez que grande parte do charme do abismo reside no fator de desconhecido que lhe está subjacente, mas toda a história por detrás da atividade de descer, a forma como a sociedade se formou em torno do abismo e mesmo a própria vida no abismo é descrita e apresentada de uma forma fascinante e viva, como se não se limitasse ao que os protagonistas vêem e presenciam.

Made in Abyss 3

Tive um problema semelhante com Shinsekai Yori e como as suas personagens não são todas bem escritas e/ou conseguidas. Isto deve-se ao facto das personagens serem controladas pela história, sendo marionetas para alcançar um fim. Isto é comum quando o peso do mundo é muito maior do que o das personagens, acabando estas confinadas a um papel secundário, na sombra do mundo onde vivem. A grande diferença entre Made in Abyss e Shinsekai Yori é que em Shinsekai Yori o objetivo da narrativa é a exploração do mundo e da sociedade que o habita, enquanto que Made in Abyss introduz um mundo fantástico e depois tenta obrigar-nos a acompanhar um bando de putos desinteressantes quando o que eu queria era seguir um aventureiro com mais experiência numa verdadeira expedição para descobrir os segredos e história do abismo.

Made in Abyss 4

A animação começa bastante boa, nos primeiros três ou quatro episódios, a partir do qual a qualidade desce um pouco a pique, à medida que a ação dos episódios diminui. As cenas com mais movimento e com monstros são por norma bastante bem animadas, mas tornam-se cada vez mais raras à medida que a série progride.

A música é um dos pontos mais fortes de Made in Abyss, a banda sonora por Kevin Penkin tem uma atmosfera que parece saída de um sonho, com músicas mais calmas, mas pujantes quando é preciso.

Made in Abyss 5

O anime em si é uma boa adaptação do mangá em geral, contudo não cobre todo material da história original que saiu até ao momento. Recomendo a fãs de aventura, drama e ação, mas aviso todos (principalmente quem vá apenas pelo estilo moe) que existe gore e que não abstém de mostrar algumas coisas que eu achava que seriam censuradas para televisão.

Escrito por MurasakiHime


6 – Shingeki no Bahamut: Virgin Soul

A continuação da adaptação da franquia Shingeki no Bahamut para anime por parte do estúdio MAPPA traz-nos Virgin Soul, sequela de Genesis, de 2014.

Desta vez o foco central é em Nina, uma rapariga com a capacidade de se transformar num dragão, mas como não é capaz de o controlar, acaba por transformar-se sempre que encontra um homem atraente. Além de Nina uma série de personagens nossas conhecidas da série original também aparecem, entre as quais, Baccus, Kaisar, Favaro, Rita, Joana D’Arc e o demónio Azazel.

Shingeki no Bahamut: Virgin Soul 1

A história passa-se dez anos depois dos eventos da primeira temporada, os humanos, liderados pelo novo rei – Charioce XVII -, escravizaram os demónios na capital, desacreditando a necessidade dos deuses e anjos. Seguimos Nina na sua vida pela capital, fazendo novos amigos, mas também novos inimigos. O título Virgin Soul refere-se em grande parte à inocência como Nina vê o mundo, utilizando este aspecto dela como ponto de partida para o seu desenvolvimento ao longo da história. Não vou aprofundar muito mais devido a spoilers, mas isto não tem só Bahamut no título, o monstro volta a aparecer e a ter um papel importante na história global!

As personagens (novas) são um pouco mais interessantes do que as equivalentes na sequela, tendo as personagens já conhecidas uma mão cheia de desenvolvimento que mantém o nosso interesse. As novas personalidades são à partida um pouco genéricas, mas com o tempo vemos outros lados delas que nos mostram que elas têm mais para dar do que aquilo que mostram ao mundo sim, estou a olhar para ti, Charioce.

Shingeki no Bahamut: Virgin Soul 2

A animação não é a melhor coisa deste mundo, mas mesmo assim é um pouco acima da média, o suficiente para ser agradável e ter um visual distinto. A utilização de CGI melhorou bastante em relação à prequela, sendo agora muito menos notório e encaixando melhor nas cenas em que entra.

Não diria que é um anime memorável, mas acho que supera o predecessor, com personagens mais humanas e cativantes e um mundo fantástico que, apesar de um pouco genérico, é interessante o suficiente para nos entreter sem nos aborrecer.

Shingeki no Bahamut: Virgin Soul 3

Escrito por MurasakiHime


 5 – Boku no Hero Academia 2nd Season

Pouco mais de um ano depois da primeira temporada, Boku no Hero Academia volta com um número de episódios redobrado para adaptar mais dois arcos da história do jovem Midoria Izuko na UA High, aprendendo a controlar o seu novo quirk. Não me vou alongar muito a explicar os eventos da temporada passada, pelo que daqui para a frente assumo que a viram ou sabem mais ou menos o que acontece.

Boku no Hero Academia 2nd Season 1

Na sequência do ano letivo que decorre, o próximo grande evento no calendário escolar é o festival de desporto, o que numa escola para super heróis se resume a um torneio em que os alunos das diferentes turmas competem, demonstrando as suas capacidades a heróis profissionais na esperança de estagiar com estes. Sim, é um tournament arc. Como a maior parte dos tournament arcs, introduz fantásticas lutas e cenas de ação, com intensos confrontos físicos e psicológicos, mas para o escopo geral da história parece que o tempo pára para as crianças andarem à porrada, o que me irrita um pouco. Se bem que esse não foi exatamente o caso, sendo que o vilão do segundo arco, o Hero Killer, foi introduzido ainda durante o torneio, mas tendo sido já no final fez-me sentir uma desconexão à realidade.  

Boku no Hero Academia 2nd Season 2

Em termos de personagens, senti que no geral houve pouco desenvolvimento no elenco, exceptuando talvez uma ou duas personagens secundárias. Pessoalmente considero as personagens em Boku no Hero bastante genéricas, por isso aprender a usar mais um bocadinho do seu poder não quer dizer que Deku tivesse desenvolvimento.

A animação, pelo estúdio Bones, continua um dos pontos altos da série, atingindo o seu pico em algumas das cenas de ação durante o torneio (nomeadamente no combate entre Deku e Todoroki). A música mantém mais ou menos o mesmo nível, não sendo grande coisa fora de contexto, mas fazendo o seu papel de nos empolgar enquanto estamos a ver o episódio (opiniões podem variar).

Boku no Hero Academia 2nd Season 3

Resumindo, não sou a maior fã de Boku no Hero, gostava que desenvolvesse mais o mundo em que a história se passa em vez de se focar num enorme leque de personagens, das quais a maior parte não me interessa particularmente. Mas pronto isto é o que temos. Acho que é algo bastante acessível e que quase toda a gente vai gostar, por isso é uma recomendação bastante relevante para recentes fãs de anime, uma vez que o visual e animação são bastante únicos e cativantes.

Escrito por MurasakiHime


4 – The Reflection

Alguém que me explique porque é que The Reflection teve uma pontuação de 4 no MyAnimeList durante a maior parte da temporada? Resposta: Stan Lee.

Desculpem aquele à parte, estava a fazer-me comichão. The Reflection! Que coisa tão underrated que aqui temos no quarto lugar! Produzido pelo estúdio Deen, é um anime original e o filho ilegítimo de Nagahama Hiroshi e Stan Lee.

Seguindo a tendência dos seus envolvimentos anteriores na indústria com adaptações do universo dos super heróis da Marvel, Stan Lee desta vez traz-nos um mundo de super heróis um pouco diferente.

Há três anos um estranho fenómeno meteorológico cobriu a terra, batizado de Reflection, dando origem a pessoas com poderes especiais, os reflected. Dois tipos de reflected distintos foram criados, os atingidos pela luz desenvolveram tendências heróicas, enquanto os atingidos pela nuvem tornaram-se vilões. Parece uma premissa bastante simples, e é; contudo a história fica interessante quando lhe juntamos uma série de personagens com ideais prontos a serem questionados, incitando diversas revoluções a favor e contra os reflected; tanto por parte dos vilões como dos humanos.

Acompanhamos uma série de personagens que vão aparecendo ao longo dos episódios mas diria que o centro do elenco é Eleanor Evans, o misterioso herói X-on e Ian Izzet. Prefiro não aprofundar muito sobre eles uma vez que isso seria spoiler e poderia estragar a piada para alguns, mas garanto que, apesar de não ser muito consistente, existe uma progressão e desenvolvimento à medida de cada um dos personagens. Gostei bastante da abordagem a temas como justiça e mesmo auto-confiança presentes no final da série.

A história existe em contínuo mas nos episódios centrais torna-se um pouco episódica, não desistam, o fim compensa sendo pouco conclusivo mas bastante satisfatório para algo que eu achava que ia acabar por descarrilar.

A produção é um dos campos que leva quase mais críticas negativas que a história (que na realidade não é assim tão má como a pintam), devido ao estilo de banda desenhada dos anos 90, uni-dimensional, sem graduação de cores e com as sombras completamente pretas. Este estilo é bastante ocidental, mas não acho que tenha ficado mal, uma vez que as cenas de ação estavam na sua maioria bastante bem animadas e fluidas é uma questão de hábito ao estilo.

A música também esteve, na sua maioria, acima da média com algumas das músicas mais catchy da temporada.

Em suma, acho que foi um anime bastante interessante, superou bastante as expectativas que tinha formado para um anime de super heróis ao estilo Marvel, sendo uma jornada bastante satisfatória. A animação realmente deixou uma forte impressão em mim, com o seu estilo distinto e incrível fluidez em algumas cenas. Recomendo bastante a praticamente toda a gente com a mente aberta para novos *tipos* e estilos de anime, que atualmente está longe de ser apenas “animação japonesa” e quem desistiu do anime só porque tinha o nome do Stan Lee associado tem um lugarzinho no meu death note.

Escrito por MurasakiHime


3 – Tsurezure Children

Baseado num 4-koma mangá com o mesmo nome, Tsurezure Children é um anime short (cada episódio tem apenas 10 minutos) que tem como tema geral o amor e o romance entre jovens. Retrata e acompanha a relação de uma série de pares de jovens, em diferentes fases de uma relação amorosa (desde nem terem ainda confessado o seu afeto, até relações já estabelecidas), por lentes que na maior parte do tempo são as da comédia.

Para mim, Tsurezure Children foi das coisas que me deu mais gozo ver esta temporada, e não apenas por ser uma comédia romântica. O facto de ser baseado num 4-koma (histórias com apenas 4 painéis) faz com que uma piada tenha um início e uma punchline no espaço de poucos minutos. Este formato faz com que cada episódio seja muito agradável de ver e, principalmente nos episódios iniciais, dá uma rápida introdução a cada uma das personagens; quem é o seu interesse amoroso e qual o “problema” que enfrentam no momento. Este “problema” normalmente está na raiz de cada um dos segmentos do episódio e pode ser específico daquele segmento ou ser transversal ao longo de vários episódios.

O elenco de personagens é muito extenso, sendo constituído quer por personagens recorrentes (com as suas piadas e interações associadas), como também por personagens que apenas aparecem uma ou duas vezes para uma piada específica. Independentemente, as personagens são na sua maioria bastante interessantes e carismáticos, melhorando à medida que os episódios passam. Obviamente, devido ao tamanho do elenco, a equipa principal acaba por ter um pouco mais de desenvolvimento que os que ficam no banco de suplentes e só têm uma aparição por outra, mas não diria que são menos interessantes por isso (o que foi algo que me surpreendeu bastante! Talvez o facto de ser um short organizado em sketchs faz com que seja mais fácil criar a ilusão de personagens multifacetadas).

A arte é bastante boa e relativamente fora do comum, com designs mais cartoonish e menos polidos do que aquilo a que estamos habituados. A animação, pelo estúdio Gokumi, é bastante consistente, criando um mundo imersivo mas tranquilo.

Tsurezure Children foi uma boa surpresa para mim, que entrei com expectativas relativamente baixas face às categorias “comédia”, “romance” e “escola” todas no mesmo anime. Não só é das melhores comédias que vi desde KonoSuba, como também consegue ser mais sério do que muitos anime de “drama” que andam por aí. Como consegue criar personagens credíveis e multifacetadas é capaz de criar momentos sérios com tão pouco esforço como cria os momentos engraçados, pois as personagens agem como pessoas a quem lhes acontece coisas embaraçosas e não como comic relief.

Recomendo bastante este anime quer a fãs de comédia, quer de romance quer de coisas fofas em geral, porque vale todos os segundos; além de que sendo um short não têm desculpa para não lhe dar uma hipótese!

Escrito por MurasakiHime


2 – 18if

Não sei quantas das pessoas que estão a ler isto viram ou sequer ouviram falar de 18if, mas espero que vos convença a vê-lo, uma vez que foi das coisas que genuinamente mais gostei esta temporada. “Porque não está em primeiro lugar se gostei tanto?” perguntam vocês? A resposta é simples: 18if não é um anime para todos, e isto é um top de recomendações, por isso tenho de ter em consideração que nem toda a gente partilha dos meus gostos pessoais.

Focando-nos então na série em si: o anime faz parte da franquia The art of 18, do qual também faz parte um jogo para telemóvel, tendo sido produzido pelo estúdio Gonzo.

A premissa é bastante simples mas a história é um pouco difícil de explicar mas eu vou tentar de qualquer forma. A narrativa foca-se em Tsukishiro Haruto, um rapaz que parece viver apenas no mundo dos sonhos ajudando raparigas que, nesse mundo, se haviam transformado em Bruxas, vítimas da doença da Bela Adormecida (que, tal como o nome indica, faz com que durmam um sono de duração indefinida).

Parece relativamente simples, certo. E se cada episódio fosse uma crítica social, exposta através das Bruxas, desde problemas do furor psicológico como depressão, bullying ou distúrbios alimentares;  dificuldades  de comunicação com alguém surdo; ou algo mais complexo como a própria corrupção da sociedade. E se além das temáticas abrangentes, o estilo dos episódios estivesse constantemente a mudar? Com isto refiro-me não só à fórmula de cada um, mas à maneira como está construídos, e também ao estilo visual. Não é de surpreender uma vez que a série tem 5 diretores de episódio diferentes. Bem-vindos ao mundo de 18if.

Em grande parte, isto é o que torna o anime tão interessante mas também é aquilo que pode levar muitas pessoas a não gostar dele. Nem todos os estilos têm a apresentação e acabamento a que estamos habituados e isso pode ser bastante estranho à primeira vista; havendo outros estilos em que muitos frames estão distorcidos e as personagens parecem todas desfiguradas.

Sem querer dar muitos spoilers digo apenas que, apesar da história ser maioritariamente episódica, o final tem uma conclusão bastante satisfatória, e que é capaz de ter sido o melhor final que vi esta temporada.

Deixo assim a nota para os interessados em sakuga, animes filosóficos e que dão sobre o que pensar e, apesar de um pouco incomum, 18if foi das coisas mais interessantes a sair, diria, até no último ano. O seu teor experimental é algo que não é muito comum, mas que altamente aprecio. Se gostaram de Flip Flappers, a aura é semelhante, mas um pouco mais hiperbólico com os temas tratados e animação.

Escrito por MurasakiHime


1 – Princess Principal

Princess Principal foi uma das grandes surpresas desta temporada, cativando-me com a sua atmosfera steampunk misturada com histórias de espiões na Londres do século XIX.

 

 

É uma história original dos estúdios Actas e Studio 3Hz, que retrata uma Inglaterra steampunk (Albion) que foi dividida após uma revolução popular, originando duas novas nações: a Commonwealth e o Kingdom. Sete anos depois da revolução, a Commonwealth lança a operação Changeling, na esperança de derrubar o Kingdom por dentro. Acompanhamos Ange, Dorothy, Chise, Beatriceas espiãs responsáveis pela operação Changeling e a princesa do Kingdom a resolver todo o tipo de problemas, desde roubar planos secretos a desmascarar espiões inimigos.

A narrativa tem duas vertentes principais, que estão intimamente entrelaçadas com a progressão dos episódios: a vertente episódica, com as diversas missões que a equipa leva a cabo; e em paralelo a história por detrás da misteriosa relação entre a Princesa e Ange. Ambas foram bastante bem desenvolvidas, misturando-se de forma bastante interessante, originando uma história bastante equilibrada.

Parte do que torna a história cativante é o seu setting, que estava muito desenvolvido, contendo uma sociedade bastante credível, sem medo de mostrar cenários como pobreza ou violência (também doméstica) mas sem nunca fazer destes temas o foco principal, existem no mundo da narrativa de forma natural, conferindo mais uma dimensão ao setting que faz com que pareça realmente vívido.

A animação foi sempre consistente e fluida, acompanhando character designs distintos, com um traço definido e um desenho com estilo bastante único. A música, por Kajiura Yuki, também está acima da média, fugindo um pouco ao estilo a que estamos habituados a ouvir dela, sendo um pouco mais jazz e noir, cimentando a atmosfera do anime.

Apesar do final não ter realmente concluído a história foi uma progressão bastante satisfatória, quer para as personagens quer para a situação política retratada, deixando em aberto a possibilidade de uma sequela.

Recomendo vivamente Princess Principal a fãs de coisas com um vibe ocidental, sendo semelhante a Baccano!, ou seja, um anime de ação mas também com o seu quê de slice of life. A atmosfera de filme de espião está bastante bem conseguida, o que associado ao ambiente steampunk, faz com que Princess Principal tenha uma personalidade muito própria.

Escrito por MurasakiHime



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MurasakiHime

Hey! Sou a Inês, escrevo como MurasakiHime, gosto de animação (anime e cartoons), mangá, visual novels e música. Estudante universitária nos tempos livres.

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