Koe no Katachi – Adaptação do mangá para filme

Koe no Katachi recebeu recentemente (2016) uma adaptação para filme. Depois de ter visto/lido ambas as versões da história, vou fazer uma breve comparação entre as interações da mesma. Neste artigo não me vou focar muito no detalhe da narrativa, apenas na maneira como  o mangá foi adaptado para filme (para uma análise mais detalhada do filme).

O filme tem pouco mais de duas horas, enquanto o mangá tem 62 capítulos, logo é de esperar que algumas coisas fiquem de fora da versão animada, contudo, na minha opinião a adaptação fez um bom trabalho em condensar os pontos mais importantes da história e a apresentá-los de forma interessante.

O enredo foi rearranjado, focando-se mais em Ishida Shouya, o que resultou na omissão total ou parcial de sequências que acompanhavam os pontos de vista de outras personagens. Isto melhorou a dinâmica entre as personagens e ajudou-nos a compreender melhor o protagonista, uma vez que vemos o mundo pelos seus olhos, contudo, esta metodologia retirou um pouco do character development que o mangá deu a algumas personagens secundárias (o que sabe sempre bem, qual é o mal em saber mais sobre personagens de que gostamos?).

Por outro lado, gostei muito mais da forma como o filme apresentou alguns aspetos do guião, assim como contornou alguns plot points do mangá de forma quase impercetível (que não vou explicar, para que quem não conheça o original não ficar spoilado). Se eu não soubesse que estavam lá quase não daria pela sua ausência.

A direção do filme foi outro dos seus grandes pontos altos, transpondo para animação os painéis do mangá sem perder o seu “charme”, conseguindo adicionar-lhe o toque mágico da diretora Yamada Naoko com fantásticas sequências que aumentam o impacto e significado da composição cinematográfica do mangá.

Acho que Koe no Katachi conseguiu ser uma adaptação muito fiel ao material de origem, sendo, contudo uma adaptação; ou seja, não retrata  completamente o mangá, fazendo alterações necessárias em certos pontos para tornar a narrativa mais apelativa num contexto de cinematográfico. A história foi transferida para um formato diferente de uma forma muito interessante, fazendo uso de elementos que  mangá não tem (como animação subtil e som) para transmitir o tom do mangá, o que contribuiu em grande parte para a expansão do seu público alvo.

MurasakiHime

Hey! Sou a Inês, escrevo como MurasakiHime, gosto de animação (anime e cartoons), mangá, visual novels e música. Estudante universitária nos tempos livres.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *