TOP 10 Recomendados da Temporada de Outono 2017

Tendo em consideração as séries que acompanhámos durante a temporada passada, a equipa do Anihome apresenta o seu TOP 10 Animes Recomendados da Temporada de Outono de 2017. Há que ter em consideração que este não um top das melhores séries, mas sim de recomendações, pelo que primeiras temporadas terão prioridade sobre sequelas.

Atenção, esta publicação pode conter imagens menos apropriadas para ser lida em público (aka mamas e isso), obrigado.

10 – Blend S

Adaptado de um mangá 4-koma com o mesmo nome (ainda em serialização), Blend S foi uma das séries mais acompanhadas durante esta temporada. Produzido pelo estúdio da A-1 Pictures, é o clássico anime moe slice of life que temos vindo a receber todas as temporadas.

O anime foca-se principalmente em Maika uma rapariga que tem um olhar penetrante e que leva a que seja sempre mal compreendida. Esse olhar conjugado com as suas frases ambíguas tornam-na perfeita para este café que pretende reunir uma série de empregadas e atribuir-lhes arquétipos comuns associados a personagens de anime.

A série é episódica e dá tanto foco à protagonista como às personagens secundárias, dentro e fora do seu trabalho; isso permite um melhor aproveitamento da “dupla personalidade” de cada personagem para mais piadas ou simplesmente para conhecê-las melhor. Ver todas estas personagens a interagir entre si e com terceiros é bastante engraçado, simples e adorável.

A arte de Blend S não é nada de extraordinário. A simplicidade do seu desenho é algo como a de todo o género moe e a utilização do blob e do chibi (e do fan service) também é recorrente neste anime. O facto dos modelos serem consistentes durante praticamente toda a série e os movimentos suficientemente fluidos mostram que a animação esteve em alta, apesar de não dar muito nas vistas. A nível musical também não se destaca, mantendo sempre um nível de qualidade decente suficiente para provocar o humor certo.

Por isso se quiserem um anime de humor simples, divertido, adorável, agradável e principalmente memerável (nunca esquecer a clássica abertura que criou uma enxurrada de memes) não deixem de dar essa oportunidade a Blend S.

Escrito por António Santos


9 – Imouto Sae Ireba ii

Depois do sucesso de Eromanga-Sensei na passada primavera, esperaríamos que um anime cujo título se traduz para “Uma irmã mais nova é tudo o que é preciso” seria mais do mesmo, aproveitando-se da renovada popularidade do género, que tinha sido iniciada por Ore no Imouto ga Konnani Kawaii Wake ga Nai (OreImo) em 2010 (2010??? man, estamos velhos).

Imouto Sae até nem é muito diferente de outros animes de mesmo género, fazendo piadas porcas e/ou sexuais quando bem lhe apetece, elevando-as a todo um novo nível. Se achavam que Eromanga era porco, então é melhor prepararem-se, porque há cenas que são praticamente hentai (não que haja realmente algo explícito, mas deixo o aviso, não sejam como eu que fui ver aquilo para a faculdade e arrependi-me). Este é, contudo um dos pontos que eu acho que é capaz de ser o menos apelativo acerca da série caso o espectador não partilhe deste sentido de humor. Se este é o teu caso, não interessa mais nada que eu possa dizer em defesa de Imouto Sae, tenho 99% de certeza que este não é anime para ti.

Por debaixo de todo o humor sexual, Imouto Sae é realmente um slice of life sobre um grupo de amigos que, de uma forma ou outra, estão envolvidos na indústria das light novels (irónico, considerando que isto é uma adaptação de uma light novel). Hashima Itsuki é o protagonista e a razão pela qual o anime tem o nome que tem deriva da sua obsessão com irmãs mais novas, sendo este o tópico de praticamente todas as suas histórias publicadas.

As personagens não são nada de especial, quer em termos de personalidade quer de desenvolvimento, por isso não vale muito a pena entrar em detalhes. Apesar disso, a sua simplicidade faz com que seja fácil criar um grau de empatia com elas, ajudando a comédia e às vezes até o drama que permeia a série (sendo este último felizmente em bastante pouca quantidade).

A animação, pelo estúdio Silver Link é bastante mediana, com character designs pouco memoráveis, qualidade de animação pouco consistente e uma atmosfera geral que grita “meh” por todos os lados, desde os backgrounds desinteressantes até à paleta de cores genérica.

De novo reforço que o humor é algo que ou se gosta ou não, não havendo praticamente meio termo. Contudo se o vosso sentido de humor for como o meu, então esta é uma boa série para ver relaxadamente e rir um bocado com as absurdidades de cenários propostos.

O anime tenta também dar uma veia mais humana às suas personagens, com algum drama e tentativas de desenvolvimento sem grande sucesso, mas mesmo esses momentos entretiveram-me, por isso é que acho que é uma boa recomendação para passar o tempo, sem grandes compromissos.

Escrito por MurasakiHime


8 – Inuyashiki

Inuyashiki marca o regresso das histórias do autor de Gantz, Oku Hiroya, à televisão. Adaptado pelo estúdio MAPPA, Inuyashiki apresenta-se como uma faca de dois gumes, por um lado, tem gore, muito do qual feito de forma a que não precisa de censura explícita, aumentando a sua eficácia; por outro lado tenta ser uma história introspectiva sobre o significado de bem e de mal no contexto da sociedade, assim como o significado da nossa existência na Terra, e o que dá esse significado a essa existência. Estes aparentes opostos são característicos dos trabalhos deste autor, acabando por se complementar de certa forma.

A história acompanha Inuyashiki Ichiro e Shishigami Hiro, que acabam acidentalmente mortos por extraterrestres, sendo transformados em robôs por esses mesmos extraterrestres com o objetivo de não interferir com a Terra (AH AH AH ah se eles soubessem tinham era ficado quietinhos). Os seus novos corpos têm capacidades inacreditáveis, desde poderosas armas até à capacidade de curar todos os tipos de maleitas e doenças.

Como seria de esperar de uma história sobre dualidade, Inuyashiki utiliza as suas novas capacidades para ajudar os outros, enquanto Shishigami as utiliza para cometer terríveis crimes. A história tem pouco mais que se lhe diga, resumindo-se à exploração da dualidade entre os dois personagens principais, assim como do confronto entre as suas ideologias.

Devido à natureza da história, parte da animação envolvendo os corpos robóticos dos personagens é feita em CGI, algo que nem sempre foi bem rendered. Na maior parte dos casos, a diferença entre o que está em 2D e 3D é evidente à distância, retirando seriedade a muitas das cenas, porque estamos mais ocupados a reparar no quão mau é o CG em vez de nos focarmos na história ou personagens. Reparamos ainda mais na falta de qualidade do CGI quando comparamos Inuyashiki com outros animes desta temporada que o utilizaram de forma muito mais eficiente e eficaz.

O final da história é dos piores da temporada, ao ponto em que parece uma piada em comparação com resto do anime (e não se deveu apenas ao aparecimento de Trump); Foi dos piores aspectos de um anime que até nem foi assim tão mau quanto isso (basta baixarem as expectativas um pouco e ninguém sai desiludido).

O anime em si é bastante previsível, mas é interessante o suficiente para que considere que valha a pena, principalmente para quem goste de este tipo de dinâmicas e/ou Gantz.

Escrito por MurasakiHime


7 – Kekkai Sensen & Beyond

Esta temporada estamos de volta a Hellsalem’s Lot com Kekkai Sensen & Beyond. A adaptação do estúdio Bones do mangá homónimo fez furor com a primeira temporada e agora, passados dois anos (parece que foi ontem), volta a mostrar-nos as aventuras de Leonardo Watch e os seus companheiros da associação Libra.

Kekkai Sensen & Beyond está desconectado da primeira temporada a nível narrativo, a história não é uma continuação direta dos acontecimentos do passado. Em vez disso, temos uma primeira metade episódica passada depois dos eventos da primeira temporada mas focada no desenvolvimento de personagens secundárias que (claramente) não tiveram  screen time suficiente durante a primeira temporada (fanboying Chain).

A segunda metade está compilada nos últimos episódios, quando a série já assume uma narrativa mais linear, focando-se de novo em Leonardo e nos seus olhos e num desenvolvimento do caráter do protagonista que se repara através do contraste entre os finais das duas temporadas.

A animação desta temporada assemelha-se bastante à animação da primeira. Tem uma boa animação mas é oscilante, apesar de nunca cruzar a linha do medíocre, a série varia entre cenas de sakuga de fazer cair o queixo e cenas muito menos fluidas com modelos meio disformes ou pouco detalhados ou com o temível CGI.

A nível da banda sonora… Não há muito que dizer. A banda sonora continua fantástica utilizando jazz, soul, low-fi hip hop e blues que contrasta diretamente com o caos de Hellsalem’s Lot e dá um ambiente característico à série. No entanto, Kekkai Sensen perdeu muito em relação à primeira temporada numa categoria: o opening e o ending. Toda a gente associa Kekkai Sensen ao seu maravilhoso ending “Sugar Song to Bitter Step” dos UNISON SQUARE GARDEN (na minha opinião um dos melhores endings dos últimos anos) mas em Kekkai Sensen & Beyond o ending é substituído por “Step Up Love” da DAOKO e Yasuyuki Okamura, que não tem nem o ritmo nem a produção fantástica do anterior anime e é uma pena sentida. No entanto visto que UNISON SQUARE GARDEN está presente no novo opening “fake town baby” (este sim, clássico USG nunca a desapontar) o erro foi trocarem BUMP OF CHICKEN por DAOKO que não encaixa tão bem.

Concluindo, Kekkai Sensen & Beyond continua com o mesmo tom da primeira temporada e oferece-nos o mesmo que nos tinha oferecido em 2015: cenas de ação fantásticas, personagens minimamente distintas e interessantes, um mundo bem desenvolvido e explorado à medida do anime, boa música e humor simples mas eficaz. Se viram e gostaram da primeira temporada, podem achar a segunda um pouco mais aborrecida devido à falta de narrativa linear, mas compensa no final. Para os outros que não viram a primeira temporada: estão à espera de quê?

Escrito por António Santos


6 – Fate/Apocrypha

Fate/Apocrypha é a mais recente adição ao longo catálogo da franquia Fate, e provavelmente a entrada mais acessível a estranhos ao Nasuverse.

Adaptado de uma light novel, Apocrypha não trata de nada relacionado com eventos na cidade de Fuyuki, cenário de Fate/Stay Night e Fate/Zero; nem de nenhuma das suas personagens. Isto é uma das razões que pode tornar Apocrypha mais fácil para novatos em Fate, porque permite ver sem compromissos de ter apenas uma parte da história ou ter spoilers enormes para tudo relacionado com as 4ª e 5ª Holy Grail War.

A história acompanha uma forma especial de Holy Grail War (Guerra do Santo Graal), que em vez de de ter 7 pares servant-master, tem o dobro, organizados em 2 facções, após a vitória de uma das facções, os seus membros lutariam entre si pelo Graal (o habitual em teoria).  Com este arranjo, o estilo de battle royale literalmente duplica de dimensão, duplicando também a quantidade de personagens que não interessam, pelo que não vou entrar muito por aí, deixando esse campo propositadamente vago.

Outra novidade face às anteriores adaptações de Fate para televisão é a delegação de Apocrypha para o estúdio A-1 Pictures, em vez do habitual estúdio, quase dedicado a produções Type-Moon, ufotable. Confesso que receei não só pela animação, mas também que alterassem drasticamente a estética que já há muito está associada a Fate.

Começando pelo último ponto, fiquei bastante surpreendida e satisfeita pelo nível ao qual a A-1 conseguiu replicar a atmosfera de Fate e adaptar os character designs de forma a ser um híbrido entre os estilos de A-1 e ufotable.

Em relação à animação fiquei ainda mais contente do que em relação ao visual geral da série. Nunca ficou abaixo do standard para a A-1 (o que, para quem não saiba é geralmente acima da média para animes de televisão) e houve episódios com animação bastante experimental com as quais fiquei bastante satisfeita. É verdade que a recepção destes referidos episódios por parte do público foi um pouco dividida, mas é igualmente verdade que requer coragem por parte dos produtores para porem animação experimental daquele estilo num anime deste calibre e exposição, e por isso dou os meus parabéns à A-1.

Apesar de tudo o que eu disse em defesa de Apocrypha como primeira entrada para Fate, não posso deixar de recomendar a visual novel como real primeiro ponto de contacto com a franquia, mas se por alguma razão essa opção não vos parece adequada (se calhar acham que não têm tempo, ou não gostam de boas histórias), com certeza, Apocrypha é um melhor primeiro passo do que as outras adaptações neste momento.

Escrito por MurasakiHime


5 – Net-juu no Susume

Produzido pelo estúdio Signal. MD a história de Net-juu no Susume (ou Recovery of an MMO Junkie) segue Moriko Morioka uma mulher de trinta anos que depois de se despedir da sua empresa decide dedicar-se por completo ao seu passatempo preferido: jogar MMORPG. Depois de criar uma personagem no jogo Fruits de Mer (Hayashi, um avatar masculino) trava amizade com outra personagem chamada Lily (um avatar feminino). Para evitar spoilers, a narrativa procura mostrar o desenvolvimento das relações entre Hayashi e Lily tanto dentro do Fruits de Mer como na vida real.

Net-juu no Susume fá-lo através de uma história simples e direta focada praticamente nos protagonistas deixando as personagens secundárias fora do plano, mesmo quando estas têm uma influência direta no desenvolvimento da relação, permitindo assim que ganhemos interesse suficiente por essas personagens, mas sem que elas chamem muita atenção. Uma narrativa tão simples é um ponto positivo para um anime como este.

O que também é deixado nas entrelinhas é o estilo de vida e a diversidade das pessoas que jogam MMORPG. Cada um joga pelos seus motivos e com as suas vidas independentes, desassociadas ao jogo e é bastante interessante ver como funciona toda esta comunidade nos seus diversos aspetos. Como jogador de MMORPG, consigo relacionar aquelas personagens com o tipo de pessoas que conheci através deste tipo de jogos, o que transmite um sentimento familiar.

Mas por mais interessante que seja ver as interações entre as personagens nos diversos meios (jogo x jogo, jogo x realidade e realidade x realidade), o que torna este anime delicioso são as próprias personagens, mais concretamente a protagonista Moriko Morioka (ou Morimori-chan). Meu deus esta personagem foi o que me agarrou ao anime, não só por ser extremamente adorável, mas principalmente por ser bastante relacionável (não propriamente diretamente com a personagem, mas como ser humano). Morimori sofre de ansiedade social, não tendo jeito em interações diretas com outras pessoas (aka awkward em geral), mas que se transforma por detrás do monitor do seu computador, por isso vê-la em situações tão simples como ir às compras, encontrar-se com alguém que a conhecia no passado ou com alguém completamente novo é bastante divertido, querido e agradável.

A animação não é algo que se destaque: é simples mas tem os seus momentos, principalmente nas reações exageradas de Morimori. A sua simplicidade, tanto a nível de animação como a nível de modelos, que variam entre um desenho simples sem muito detalhe e um modelo mais chibi em momentos mais cómicos, encaixa como uma luva no plano geral do anime. Também se destacam neste anime o opening, mais pela sua música (“Saturday Night Question” de Megumi Nakajima) que é quase impossível de passar à frente, mas principalmente o ending que para além do seu tema “Hikari, Hikari” de Yuuka Aisaka, consegue adicionar ainda mais à personagem de Morimori ao mostrar-nos basicamente o quotidiano dessa personagem através do reflexo do monitor do seu computador.

Concluindo, não é o melhor anime que anda por aí, nem a nível de história, nem a nível de produção. Mas compensa com cenas simplesmente adoráveis e engraçadas que nos fazem passar um bom tempo. O anime só tem 10 episódios e um episódio especial que conclui, de certa forma, o desenvolvimento do romance.

Escrito por António Santos


4 – Ballroom e Youkoso

Tenho de admitir que quando vi os primeiros anúncios e PVs para este anime não considerei que o fosse acompanhar, a arte era bonita, mas os pescoços eram demasiado longos, as personagens pareceram-me exageradas e o tema sobre dança não me pareceu o mais interessante. No entanto, decidi ver o primeiro episódio por descarga de consciência e ainda bem! Ao fim do primeiro episódio eu já tinha ultrapassado todos os meus problemas anteriores, talvez menos o facto dos pescoços compridos… mas também não me demorei muito a habituar.

Ballroom e Youkoso é uma adaptação do mangá homónimo ainda em serialização pelo estúdio Production I.G, estúdio responsável por animes como Kuroko no Basket e Haikyuu!!, reconhecidos como dos melhores e mais populares animes de desporto. Estes animes são parecidos a Ballroom não só por serem um anime de desporto (que em termos de história, são todos muito parecidos) mas também na sua execução.

Sendo um anime de desporto a narrativa encaixa na estrutura de quase todos os animes de desporto: temos o protagonista _______ (inserir nome: Tatara Fujita) que é um zero na vida e que descobre ter um talento nato para o ________ (inserir desporto: dança de salão competitiva), entretanto tem um treinador veterano/profissional ________ (inserir nome: Kaname Sengoku) que o treina e aos seus colegas para ser o melhor.

Ballroom está então dividido em duas metades, a primeira é sobre Tatara e a descoberta do seu talento natural; o anime leva o seu tempo a construir o mundo com a apresentação de novas personagens à medida que Tatara vai evoluindo no seu conhecimento do desporto e ao mesmo tempo procurando pelo seu par definitivo. A segunda parte do anime começa quando Tatara arranja finalmente um par e decide entrar nas competições; mais uma vez temos uma parte focada no treino e progresso de Tatara com o seu par Chinatsu Hiyama (best girl) e finalmente, com muita hype, a competição em si.

O tratamento do progresso das personagens está diretamente relacionado com o progresso da história de Ballroom (à semelhança com o que acontece com Haikyuu!! e Baby Steps) e torna o anime não apenas interessante mas também naturalmente fluido e nada aborrecido, trazendo cada vez mais excitação à medida que o guião vai avançando e fazendo com que arranquemos as unhas durante uma semana à espera pelo próximo episódio. Como o mangá ainda está a ser publicado, a conclusão era um total mistério para todos, mas foi bem executado. O facto do autor do mangá, Tomo Takeuchi, ter participado na realização do anime permitiu uma conclusão fiel ao que ele espera completar no mangá.

A nível de animação, devo dizer, que é algo espetacular. Não vemos muito sakuga ao longo do anime, mas temos uma produção estável e coerente durante praticamente todos os 24 episódios com uma animação fluida e uma arte de linha forte e com uma paleta de cores vibrante semelhante a outros animes como Haikyuu!! e All Out!! da Madhouse. Os modelos às vezes podem derivar um pouco, algo que não chama muita atenção, ao contrário dos pescoços (e a testa de Chinatsu, mas isso é canon) mas é tudo uma questão de hábito que passa rapidamente.

A música tem certamente um impacto importante na produção. Durante toda a série vamos ouvindo diversas peças de bossa nova, foxtrot, waltz, etc. associadas aos estilos de dança que ocorrem para além da OST original do anime. Um aspecto que me incomodou na forma como estas peças foram utilizadas foi de a falta de uso que lhe deram! Muitas vezes as músicas de dança são interrompidas pelas músicas mais “hype” enquanto os personagens continuam a dançar. Compreendo que o intuito seja aumentar a tensão, mas é um pouco confuso quando os personagens falam sobre estar fora do tempo da música quando a música que nós estamos a ouvir não é a mesma a que eles se referem. Associado à música estão os dois openings e o último ending que, só por si, merecem que vejam o anime. Ambos os openings “10% roll, 10% romance” e “Invisible Sensation” são da autoria dos UNISON SQUARE GARDEN que são sempre um privilégio de ouvir e com uma animação espetacular é um crime passar estas aberturas. O último ending “Swing heart direction” de Mikako Komatsu no conjunto áudio-vídeo é certamente um dos melhores (senão o melhor) ending da temporada, com uma música calma combina com a própria animação que também apresenta cores não muito vibrantes com base no laranja e no azul; a própria linguagem corporal dos protagonistas neste ending também é detalhadamente pensada conforme o desenvolvimento da sua relação, e vê-lo assim expresso é algo sempre agradável e que demonstra dedicação da parte da produção.

Infelizmente, acho que este anime não teve uma grande recepção, talvez devido ao desporto tema do anime, o que é uma pena e não se deveriam de abster de ver Ballroom e Youkoso, porque é um anime de desporto bem executado com todos os pontos também associados ao género shounen e temas que vão sendo abordados ao longo da série como o conflito pessoal e interpessoal, o stress e a depressão que em conjugação com animação, arte e música espetaculares constroem um dos melhores animes desta temporada recomendado a todos os tipos de espectadores.

Escrito por António Santos


3 – Houseki no Kuni

Esta temporada teve umas quantas surpresas para mim, praticamente o top 3 foram animes dos quais eu não esperava muito mas que acabaram por me dar a volta, cada um por razões diferentes.

Houseki no Kuni provou a todos que anime não tem só mau CGI (flashbacks de Berserk 2017), conseguindo superar visualmente grande parte dos animes tradicionais desta temporada, quer em termos de qualidade geral da animação, fluidez, mas também em consistência, raramente havendo diminuições de qualidade entre diferentes cenas e episódios (apenas o último episódio tinha alguns problemas de rendering, com algumas linhas claramente pouco definidas, mas isso deve ser resolvido nos Blu-Rays, porque provavelmente se deveu à falta de tempo).

Mas o mérito não está só na qualidade técnica que o estúdio Orange apresentou, aspectos mais banais como história, personagens e som também mereceram notas bastante elevadas da minha parte. Adaptado de um mangá homónimo, Houseki no Kuni passa-se num futuro distante no qual a terra é habitada por gemas vivas (estilo Steven Universe) que defendem a sua casa dos misteriosos habitantes da Lua, os Lunarians, que têm o desagradável hábito de atacar e raptar gemas.

Tal como a próxima entrada, Houseki no Kuni é uma história sobre exploração do mundo em redor, mas ao contrário de Kujira no Kora, esta é feito de forma muito mais introspectiva, da perspectiva da nossa personagem principal, Phosphophyllite (Phos para os amigos), à medida que esta se desenvolve com o decorrer dos episódios.

Há um grande foco no estilo de vida que as gemas levam, assim como o inicial estado de apatia que Phos sente em relação ao seu papel aparentemente inútil nessa sociedade principalmente dominada pela luta contra os Lunarians. Sem spoilar muito, posso dizer que à medida que Phos tentar mudar a forma como todos a veem, a forma como ela própria vê o mundo também começa a mudar aos poucos, culminando num dos melhores character developments que vi em muito tempo (talvez desde Simon de Tengen Toppa Gurren Lagann).

Não consigo sublinhar o suficiente o quão LINDO este anime é, mesmo ignorando a elevada qualidade da animação, a forma como os modelos das personagens (3D) se integram de forma praticamente imperceptível com o fundo e as paisagens (2D) é fantástica. O mais incrível é que Houseki no Kuni mantém esta qualidade ao longo de todos os seus episódios melhorando ao longo do tempo (!) contrariamente ao que é habitual. Muitos animes apresentam uns episódios iniciais com uma qualidade muito superior ao resto da temporada por razões de marketing mas também porque ao fim de algum tempo, sem planeamento adequado, torna-se impossível manter a qualidade semanalmente, como foi o caso com Yuri!!! on Ice no ano passado.

Em termos de som, a banda sonora é uma das minhas favoritas da temporada, pela sua sonoridade peculiar e mistura de estilos para uma experiência única. Não posso deixar de referir o fantástico desempenho de Kurosawa Tomoyo como Phos, dando uma dimensão extra à personagem (ahahah piadas com 3D) com a sua interpretação e com a forma como conseguimos sentir o desenvolvimento de Phos também através da sua voz.

O mundo de Houseki no Kuni está maravilhosamente construído, mesmo que no anime fiquem algumas muitas pontas soltas acreditem em mim, eu li o mangá, e esta é a minha maior crítica: o final foi seriamente pouco satisfatório. Bem, na verdade não é uma crítica porque provavelmente não houve espaço de manobra para contornar este problema por duas razões: Razão 1) o mangá ainda não terminou, por isso este tipo de final aconteceria mesmo que o anime tivesse mais episódios; e Razão 2) mesmo com 25 episódios, caso o anime apanhasse o mangá, o final provavelmente seria ainda menos satisfatório devido ao ponto em que a história está atualmente.

Conheço pessoas que não leram o mangá e que não ficaram desapontados pelo final, por isso se calhar foi só o facto de eu já saber o que ia acontecer e querer pelo menos mais alguns episódios até ao ponto que eu acharia ideal parar a história (um timeskip a 10 capítulos de onde o anime parou).

Terminado este aparte, não consigo recomendar Houseki no Kuni o suficiente. Foi genuinamente das melhores coisas que vi nos últimos tempos. A sua animação e história foi uma mudança à norma mais que bem-vinda.

Escrito por MurasakiHime


 2 – Kujira no Kora wa Sajou ni Utau

Outra das grandes revelações (principalmente em relação às imagens promocionais) desta temporada foi Kujira no Kora wa Sajou ni Utau. O apelo de Kujira no Kora reside na sua vertente mais intelectual e política, com grande dedicação ao worldbuilding; relembrando-me de Shinsekai Yori.

Adaptado de um mangá com o mesmo nome, Kujira no Kora wa Sajou no Utau apresenta-nos uma utopia sob a forma de uma sociedade que vive numa ilha que flutua à deriva num imenso mar de areia (sim, leram bem, mar de areia, não me perguntem como funciona, faz parte da fantasia), isolados de qualquer contacto com outros humanos. Esta ilha, batizada como baleia de lama suporta uma pequena povoação, da qual cerca de 90% das pessoas têm poderes especiais (estilo telekinesis) chamados thymia, resultando contudo na morte prematura de quem os possui.

A história segue um pouco a forma clássica de utopia/distopia, apresentando-nos “o mundo perfeito” para rapidamente nos confrontar (a nós e às personagens) com a realidade. As temáticas da história incluem o papel das emoções na sociedade e a forma como diferentes sociedades as veem; diferentes tipos de governo, defendendo o bem maior mesmo à custa de sacrifícios, por exemplo; entre outros. É um buffet de temas, uns mais óbvios que outros mas há para todos os gostos.

Tal como é habitual neste tipo de histórias, as personagens são secundárias, ou seja, mesmo sendo interessantes e com um certo grau de desenvolvimento (o que até é o caso), o foco está colocado na “bigger picture” do mundo, sendo os personagens reduzidos quase a peões para avançar a história.

Este tratamento pode ser bem feito, como no caso de Shinsekai Yori (eu sei que é a segunda referência a Shinsekai, mas é dos meus animes favoritos e todos os que gostam deste tipo de cenários deveria vê-lo, porque é provavelmente o melhor anime sobre utopia/distopia que já vi) integrando as personagens ativamente na descoberta da distopia; ou mal feito, como no caso de Psycho Pass e mais proeminente, a sua sequela, que passivamente introduz as personagens ao conflito da sociedade. Nesta escala diria que Kujira no Kora se encontra mais perto de Shinsekai Yori que de Psycho Pass, mas concordo com algum do criticismo relativo ao anime que ataca as personagens como sendo a parte mais fraca da história. Sim, são a parte mais fraca da história, mas acho que estão bastante bem conseguidas, considerando o quão difícil é criar personagens interessantes no contexto de uma história deste género. Não me vou alongar mais quer em relação à história ou personagens para evitar spoilers.

A animação, pelo estúdio J.C. Staff, esteve no topo da temporada como não só das mais fluidas, consistentes e, vamos ser honestos, mais visualmente apelativa. As suaves cores pastel e o estilo aguarela conquistaram-me quase instantaneamente.

O som foi um dos pontos altos do anime, quer ao nível da música quer das atuações dos diversos atores envolvidos. A banda sonora é maioritariamente constituída por peças acústicas, dando outra camada atmosférica à história, e ao ambiente rústico que as personagens habitam. Em termos das vozes, dou os meus parabéns por terem equilibrado bastante bem o tom do anime com vozes menos “anime” do que aquilo a que estamos habituados, aumentando a credibilidade das personagens e do cenário. Isto não quer dizer que não há aquela casual personagem com voz super “anime”, apenas que o balanço entre as vozes mais moe e mais normais foi muito bem conseguido.

Uma das razões que (para mim) impediu Kujira no Kora de ser o melhor da temporada foi o final, ou na verdade, a falta dele. Apesar de ter lidado melhor com um final precoce melhor do que Houseki no Kuni, tendo um arco definido e uma conclusão minimamente satisfatória para a história, esta está longe de estar completa, e a meu ver não consegue competir com uma história que tenham um bom final.

Recomendo vivamente Kujira no Kora, quer a fãs de coisas mais intelectuais quer a fãs de pretty colors. É um anime relativamente acessível, mas é óbvio que pessoas diferentes vão tirar dele coisas diferentes. Foi dos animes que mais me entreteve pessoalmente esta temporada, delicadamente construindo um mundo com imenso detalhe que me fez ter saudades deste tipo de história.

Escrito por MurasakiHime


1 – Shoujo Shuumatsu Ryokou

I’m a simple man: I see yuri, I watch. Realmente foi assim que começou, mas mal acabou o primeiro episódio soube do potencial deste anime para chegar ao topo e só rezava para que nada acontecesse para arruinar este tão espetacular anime.

Shoujo Shuumatsu Ryokou (ou Girl’s Last Tour) é um anime baseado num mangá com o mesmo nome e que ainda está em serialização, produzido pelo estúdio White Fox (estúdio responsável pela produção de Steins;Gate) e que protagoniza duas raparigas chamadas Yuuri (Yuu) e Chito (Chi) que vão vivendo e explorando um mundo pós-apocalíptico.

Este anime apresenta um desenho bastante simples, moe blob (literalmente blob), e esta arte pateta e relaxante contrasta pesadamente, mas com um certo equilíbrio, com a desolação total do mundo em que Yuu e Chi vivem. O anime é de certa forma episódico, tendo uma ou várias palavras-chave para cada momento como “livro” ou “música” que refere o tema abordado durante essa sessão. O facto destas raparigas terem crescido longe da civilização, permite-lhes uma visão destacada não influenciada pelas tecnologias, culturas e ideologias que as fazem questionar (e nos também) e pensar sobre os temas mais básicos, como a música, a empatia, o significado da morte e a religião, que para nós são dados adquiridos influenciados pela nossa civilização, mas que para elas são conceitos completamente novos.

Yuu e Chi não se limitam a sobreviver e a pensar sobre novos conceitos e, na verdade, o ambiente do anime não é nada pesado, muito pelo contrário. A interação entre as personagens e o modo simples como elas encaram todos os seus problemas dá um tom muito leve e divertido à série, que mostra que é possível ser feliz e viver mesmo num mundo desolado, encontrar a beleza na aparente destruição e mostra a importância do apoio e entreajuda.

O pacing do anime é lento, não no mau sentido, e estável. A série não tem pressa e nós apenas vamos conhecendo o mundo à medida que as protagonistas o vão conhecendo também. Este mundo que apesar de ter um ambiente leve, continua a ser duro e nós somos constantemente lembrados disso para não nos perdermos nas palhaçadas das nossas protagonistas. E apesar de só nos ser mostrado no final do anime o que aconteceu realmente no passado, nós vamos conseguindo ler nas entrelinhas e saber o que causou a destruição do planeta.

A animação e arte são simples, coerentes, fluidas e belas. As personagens, apesar do seu estilo bastante “deformado”, conseguem ser bastante expressivas e transmitem exatamente os sentimentos necessários quando são necessários. Os cenários são impressionantes com um vasto reportório de ambientes destruídos e abandonados.

A banda sonora desempenha também um papel bastante importante com diversas músicas que chamam a atenção durante o anime, tanto em momentos de maior tensão como de relaxamento, e eu certamente que vou ficar à espera ansiosamente pela OST. O opening é bastante adorável com as duas protagonistas a cantar sobre o otimismo e o apoio mútuo, com uma coreografia engraçada *dab* sem esquecer o cenário de desolação.

Mais do que ter duas personagens moe yuri a explorar um mundo pós-apocalíptico, Girl’s Last Tour é sobre filosofia, sobre pensar e questionar os alicerces da cultura e da civilização com um otimismo de quem explora um conceito novo, ao mesmo tempo que mostra que se pode encontrar a felicidade nas coisas mais simples, algo que hoje passa despercebido, também a importância da alegria e da beleza da vida, apesar das circunstâncias. É um anime divertido, emocionante, relaxante, adorável, sem melancolia excessiva apesar dos seus temas e com um ambiente absolutamente fantástico suportado por uma arte simples mas eficaz e uma banda sonora espetacular.

Escrito por António Santos


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António Santos

Sou um amante da cultura japonesa que estuda nos tempos livres. Ver anime, ler manga e jogar preenchem a maior parte do meu dia. A outra parte é dedicada ao Anihome.

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