Visita Guiada

Visita Guiada: Iberanime LX 2018

Na sua 8ª edição, e ocupando pelo terceiro ano consecutivo o Pavilhão Atlântico (sim, agora chama-se Altice Arena mas também muda tantas vezes de nome), o Iberanime LX trouxe uma vez mais ao de cima o fã de cultura pop japonesa que está dentro de nós.

Diria que a grande novidade em relação às edições anteriores foi a completa fusão entre o Eurogamer Portugal Fest (antigo 4Gamers) e o Iberanime em si. Ao contrário do que se sucedeu o ano passado, as barreiras foram quebradas e os dois eventos deixaram de se assumir individualmente. Agora partilham o espaço, o programa e a audiência (recordo que em 2017 existiam bilhetes específicos para cada um dos eventos).

Isto em si não é mau, mas é uma faca de dois gumes. Por um lado, toda a zona dedicada a gaming retro e indie no piso superior estava bem localizada e bem espaçada, sendo um local confortável para passar uns bons bocados a experimentar jogos novos (ou velhos, dependendo da perspectiva :v). O facto de trazerem não só os jogos, mas também as equipas por detrás dos jogos indie foi algo que gostámos bastante e que normalmente só experienciamos em eventos como o Lisboa Games Week.

Por outro lado, o programa estava mais fraco e eventos que em edições anteriores eram das maiores atrações (como o concurso de AMV) foram deslocados para palcos secundários para dar lugar no palco principal para eventos relacionados com gaming.

Ainda falando do Eurogamer, e comparando com o seu antecessor, o 4Gamers, notámos uma sensível diminuição na qualidade e quantidade do programa. O 4Gamers teve um programa repleto de workshops sobre desenvolvimento de jogos, sobre trabalhar possíveis conceitos ou de criação de personagens e, como já referi anteriormente, uma vez que era um evento separado do Iberanime, tinha todo este programa exclusivo. Já o Eurogamer sofreu um pouco em termos de programa, tendo perdido quase todos os workshops relativos com desenvolvimento de jogos.

Apesar deste ano não ter tido tantos workshops como 2017 nos habituou, tivemos algumas novas entradas… interessantes. Sim, estou a olhar para ti JoJo Pose Contest! Não sei bem quem teve esta ideia mas, apesar de um ser pouco estranho de se ver, tenho de dar os meus parabéns por tentarem trazer algo inovador a um programa destes. Mas não me levem a mal, não estou com isto a dizer que coisas como o Para Para Dance deviam sair porque já não são inovadoras. Longe disso, pois continua a ser uma das maiores (e melhores) atrações em que o público pode participar.

Mais uma vez, o Cosplay World Masters esteve em alta com cosplays e skits dos melhores das últimas edições, tendo-se tornado um dos poucos eventos que parece nunca desiludir, em grande parte devido aos participantes, que se superam constantemente.

Sei que a conversa sobre o programa já vai longa mas temos mais umas coisas para discutir (não tenham medo, são maioritariamente coisas boas e tudo). O painel com os dobradores de Dragon Ball foi algo que gostámos muito, trazendo uma visão introspectiva sobre a indústria no nosso país. Claro que também apreciámos imensamente a presença de Henry Thurlow, um animador e responsável por um estúdio de animação no Japão, pelo contacto com alguém dentro da indústria de animação que tanto admiramos.

Para finalizar este ponto com um pouco de teoria da conspiração, supomos que, em geral, o programa tenha estado mais fraco este ano devido a terem trazido cá Riho Ida (Rippi), uma cantora e atriz relativamente conhecida no Japão (principalmente por ser a voz da Rin Hoshizora, de Love Live!), e por isso compreendemos as escolhas feitas em termos de programa para acomodar tal investimento.

Em termos de evento em si, a distribuição do espaço com o Eurogamer permitiu rearranjar as bancas, havendo este ano mais espaço de circulação na zona das bancas e tornando o evento mais confortável em geral para fazer cosplay com acessórios grandes e tirar fotos desses mesmos cosplayers (apesar da luz na arena central estar tão baixa que quase que não dava para tirar fotos sem flash). Isto representa uma melhoria significativa em relação ao ano passado, em que não havia quase espaço para respirar e onde mal havia lugar para ficar a ver o que havia em exposição, quanto mais passar. Contudo, parte do aumento de espaço pode prender-se com o facto de este ano terem estado, em geral, menos bancas de merchandise no evento (quando comparado com a soma do número das bancas de ambos os eventos no ano passado).

Algo que nos desiludiu um pouco foi ver o quão diluídas ficaram as coisas relacionadas com animes e mangá em relação a coisas de gaming e mesmo de K-pop, cuja crescente popularidade estava bem visível pelo facto de este ano ter havido bancas exclusivamente dedicadas a esse tipo de merchandise. Algo que também se tornou uma desilusão foi o facto de, para além de haver poucas bancas que vendiam figuras e outra merch de anime (como acessórios, carteiras, etc), o seu conteúdo era principalmente bootleg.

Outra novidade bem-vinda na organização do espaço foi a introdução de mesas junto das bancas de noodles, contudo, na nossa opinião estas poderiam estar num local mais remoto em vez de estarem a ocupar espaço que poderia bem ser utilizado por outras bancas. Quanto às mesas de Go junto das mesas para comer: gostámos da adição, poderiam estar noutro local mais calmo, como no anel superior junto do palco cultural por exemplo, em vez de ao lado do palco principal que era bastante barulhento por vezes.

Provavelmente nada teve a ver com a organização das bancas e sim com o aumento da afluência de pessoas ao evento, mas a quantidade de cosplayers voltou a subir em relação ao ano passado. Contudo este ano houve mais queixas de falta de organização no que toca à entrada de props, tendo algumas pessoas de deixar parte inofensiva dos seus cosplays no bengaleiro (e algumas no lixo 0o0) enquanto outras entravam com outros props potencialmente mais perigosos e sem problemas. Tendo muita gente a comentar que as medidas de segurança à entrada eram feitas em vão, uma vez que existia uma banca no interior do evento que vendia pequenas facas com skins de Counter Strike. Todavia, este não foi o único problema de inconsistência de segurança, uma vez que a umas horas dos concertos foi (de repente) proibida a venda de ramune na sua garrafa original, uma vez que se trata de uma potencial arma de arremesso.

Apesar da inconsistência das revistas, a entrada no recinto em si decorreu de forma mais ordenada do que em anos anteriores, o que é sempre bom. Queríamos também comentar que apesar de alguns problemas de comunicação entre os membros do staff da Manz e do corpo dos voluntários, estes últimos foram incrivelmente prestáveis.

Não podíamos deixar de referir que ambos os concertos este ano estiveram muito acima das nossas expectativas. Matheus Paraizo cantou uma série de covers de openings de anime e de temas de K-pop com um arranjo jazz que nos surpreendeu pela positiva; e Rippi deu um concerto fantástico com os seus originais.

Para terminar, notámos que este ano estavam muito mais famílias presentes, uma indicação que o evento está não só a atrair públicos mais jovens, mas também se está a tornar mais familiar. Não consideramos isto um ponto mau nem bom por si só, mas quando olhamos para a descrição do evento como “uma celebração da cultura pop japonesa” vemos a parte do “japonesa” a desaparecer aos poucos enquanto o Iberanime se vai aproximando de outros eventos de cultura pop como a Comic Con.

Em geral gostámos do evento pelo convívio e concertos, mas ficámos um pouco desapontados e com um sentimento de que a qualidade geral do evento (programa, bancas, etc.) tem vindo a decrescer desde a edição de 2016.

Para finalizar a nossa Visita Guiada ao Iberanime LX deste ano, deixamos algumas fotos que tirámos no evento. No entanto, temos um sincero pedido de desculpas a fazer. Devido a problemas técnicos com a nossa câmara fotográfica, infelizmente perdemos as fotografias tiradas durante o primeiro dia do evento. Pedimos as nossas sinceras desculpas a todos os cosplayers a quem tirámos e prometemos fotos, e que não poderão ver o seu trabalho na nossa página. Por outro lado, muito obrigado a todos os que nos falaram e que perderam um pouco do seu tempo connosco.

Iberanime LX 2018 – Anihome

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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