Abstract

Indústria de mangá em Portugal

Tive no passado dia 14 de Outubro de 2018 o prazer de assistir a um painel sobre a publicação e o licenciamento de mangás no nosso país, organizado pela OtakuPT e que contou com a participação de Júlio Moreno, o responsável por essas matérias na vertente brasileira da editora JBC, originalmente do Japão, que em 2018 decidiu lançar-se e navegar os atribulados mares do mercado português.

Em Portugal, desde a explosão de mangá dos últimos anos que o mercado tem sido dominado pela vertente de mangá da Devir, sendo que até à sua estreia em 2012 os títulos publicados no nosso país eram escassos e normalmente vistos como experiências de editoras maiores, que facilmente eram descontinuadas.[1]

Apesar de recente, a JBC Portugal já conta com dois nomes de peso no mercado mundial: Ghost in the Shell e Attack on Titan.  Moreno deu-nos uma breve introdução de si próprio na empresa seguido da explicação sobre como se desenrolam os processos que levam à publicação de um mangá, começando por serem marcadas reuniões com os representantes das editoras japonesas onde se apresenta o plano de ação para a publicação, este processo pode ser demorado, chegando a levar dois anos. Se aprovado pela editora, precisa ainda de passar as restrições do autor. Visto que estes não terão como seu interesse o falhanço das suas criações em terras estrangeiras, muitas vezes impõem valores mínimos de vendas à partida, algo que afetou várias publicações em Portugal; uma vez que este é um país pequeno e estas metas são muitas vezes difíceis de atingir. Outra razão para a pouca aposta dos japoneses no nosso mercado deve-se ao nosso historial de cancelamento de publicações, algo bastante mal visto na cultura mangaka japonesa, tal como foi o caso de Dragon Ball.

Ao ser aprovada nestes pontos segue-se o tratamento do material, ou seja, a tradução do diálogo para português, trabalho geralmente efetuado por tradutores de japonês-português da fonte original, sendo que raramente é efetuada a tradução a partir de outra língua traduzida. É ainda escolhido um designer que fará a arte da capa, original para cada país onde a obra é publicada. Por fim segue-se a impressão, sendo esta realizada dentro ou fora do país, dependendo dos critérios da empresa em termos de custos/lucros.

Na breve sessão de perguntas e respostas que se seguiu o CEO revelou ainda possíveis planos para futuras edições especiais à publicação de Ghost in the Shell, uma vez que prefere esse estilo de edições especiais e One-shots premiados, a grandes séries com dezenas de volumes. Este tipo de publicação poderá afastar potenciais leitores, devido ao seu tamanho, em oposição às primeiras que podem atrair um público mais geral que inicialmente não estaria muito interessado em mangás mas poderá acabar por ficar fã devido ao facto da história ser esporádica.


Julio Moreno (à esquerda), CEO da JBC Portugal, durante o lançamento da edição especial de The Ghost in the Shell

Um novo investimento deste nível no mercado português poderá levar a um aumento de pessoas interessadas em mangás, o que em retorno irá levantar a curiosidade de novas editoras enveredarem por este rumo, aumentando a competitividade e consequentemente a qualidade das publicações.

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