Abstract

Em defesa de Violet Evergarden na luta contra a hype

No início deste ano vimos finalmente Violet Evergarden chegar ao pequeno ecrã, pelas mãos do estúdio Kyoto Animation.

Eu tenho uma relação muito particular com este estúdio uma vez que a KyoAni conseguiu produzir alguns dos meus animes favoritos (Hibike! Euphonium, Koe no Katachi), mas também animes com os quais nunca ressonei muito e que me irritam profundamente, porque a meu ver não são nada de especial apesar de serem verdadeiros fenómenos dentro da comunidade (qualquer uma das adaptações que fizeram das visual novels do estúdio Key Clannad, Air e Kanon -, e mesmo K-On!! ou Suzumiya Haruhi no Yuuutsu, animes pelos quais não morro particularmente de amores).

Devido a este sentimento de amor-ódio estou mais ou menos sempre a par do trabalho que têm em produção, não sendo Violet Evergarden uma exceção. Contudo, e graças ao facto de termos deixado de cobrir anime sazonal enquanto este está a sair, apenas vi o anime quase quatro meses depois de ter saído, o que me deu bastante tempo para averiguar a opinião geral sobre o mesmo e também ouvir amigos meus aconselharem-me para “não ver que não ia gostar” e que “não era o meu tipo de anime”.

De facto, quando faltava um episódio para o anime terminar a opinião geral que ouvia era que era um anime lindo mas que as personagens não estavam bem construídas, que o ritmo não estava bem conseguido, que a natureza episódica era aborrecida e que “queriam era ver a Violet e não os estranhos que a contratavam”, ou simples queixas acerca da forma como o anime tinha adaptado a light novel, escolhendo por contar alguns capítulos fora da ordem pela qual eram originalmente apresentados ao leitor. Em cima disto tinha não uma, mas duas pessoas que conhecem o meu gosto bastante bem a dizer-me que provavelmente não ia gostar do anime, por isso, afirmar que as minhas expectativas eram baixas é um eufemismo.

Num surpreendente desenrolar de eventos, adorei Violet Evergarden! Chorei copiosamente em quase todos os episódios (algo que não acontece com frequência devido ao meu coração de pedra) ao ponto em que até eu fiquei surpreendida com a capacidade que o anime tinha em manipular as minhas emoções com simples cinematografia e utilização da banda sonora (isto para dizer que nem sempre chorei só no que seriam os clímax ou pontos emocionais da histórias, mas também em outras situações teoricamente menos susceptíveis a tal resposta).

É realmente um anime lindo de se ver, nisso tinham razão, contudo acho que mais do que bonito por fora, é um anime bonito por dentro. Além dos visuais (character design, animação e cinematografia), também a música e a narrativa (assim como a forma como as personagens são encaradas) estão muito acima do que estamos habituados a ver em anime sazonal.

Não vou entrar em muito mais detalhe sobre o anime em si, para evitar spoilers; e, deixando a minha recomendação às pobres almas que ainda não tiveram a oportunidade de ver Violet Evergarden, prossigo numa fantástica aventura, completamente baseada em suposições uma vez que, como ainda não possuo o dom da omnipresença, nem vivemos dentro da instrumentalidade, não posso saber o que levou os que ficaram com uma impressão negativa deste anime a esse triste fado.

Acho que todos podemos concordar que um grande fator da popularidade de Violet Evergarden desde o início residiu na hype que o rodeava, e quando a hype é muito grande existe um maior risco de desiludir a audiência que criou expetativas irrealistas sobre o produto. Penso que este terá sido um fator crítico para a má receção inicial do anime, ao qual se juntou o facto do anime alterar um pouco a ordem dos eventos como são contados originalmente, o que também confundiu e talvez tenha irritado os fãs da light novel. O pacing geral da série é relativamente lento para quem vê semanalmente, o que associado à sua estrutura episódica deixou muita gente aborrecida e frustrada porque a história parecia estar a gastar muito tempo com coisas e personagens que não interessavam em vez de desenvolver os conflitos centrais (coisa que explicitamente só acontece nos episódios 8 e 9) que lhes tinham sido apresentados nos trailers.

Apesar de perceber de onde esta frustração vem, considero que esses aspetos não retiram valor ao produto quando são bem executados, antes pelo contrário como neste caso. No final, para um anime que no fundo é sobre subtileza de animação e os pequenos pormenores de relações interpessoais mais do que cenas de guerra ou ação (que apesar de bem feitas são um pouco escassas para o que o público mais abrangente está habituado), acho que o público se pode ter sentido um pouco traído.

Fico contente ao ver que, ultimamente, a opinião mais comum quando ouço falar de Violet Evergarden tem sido positiva, demonstrando que a apreciação pela série está finalmente a falar mais alto do que as vozes embriagadas pelo que é popular sazonalmente.

Não deixem de ver a nossa análise de Violet Evergarden para verem o que achamos deste anime.

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