Abstract

O Curioso Caso de ONE

Quem é ONE?

Pouco se sabe sobre este enigmático mangaka, que desde o início da década tem vindo a criar um nome para si próprio no mundo do mangá, contando já com duas obras adaptadas em animes de sucesso, One Punch Man e Mob Psycho 100, que aumentaram exponencialmente a sua popularidade no Japão e levaram muita gente pelo mundo inteiro a conhecer ONE. Em algumas entrevistas, o autor foi dando pequenas informações sobre si, mantendo-se apenas conhecido pelo pseudónimo, revelou que nasceu na província de Niigata, em 1987, mas cresceu em Saitama. Quando andava na primária era um grande fã de mangá e cedo decidiu que essa era a sua vocação, passando a andar com um caderno a fazer rabiscos e a criar pequenas tiras de interações entre personagens, não se preocupando demasiado com a arte, desenvolvendo a sua capacidade de criação de personagens e de diálogo entre elas.

A criação do seu primeiro “mangá”:

ONE começou a lançar as suas primeiras criações num website de publicação de mangás. Para tal, comprou um PC e uma mesa de desenho digital, com os quais criou um comic de 15 páginas. Este comic foi publicado com o nome “One Punch-Man Chapter 1” e obteve uma resposta maior do que ONE esperava. Isto motivou o autor a continuar a desenhar e elaborar a história, acabando por criar o seu próprio website, onde continuou a lançar One Punch-Man. Sendo ainda da sua opinião que este tipo de publicação online fornece ao autor uma liberdade bastante maior que as publicações impressas, onde existem restrições em relação ao que pode ser impresso e onde não é possível fazer alterações após o produto chegar ao leitor. Apesar de menos consumido, este tipo de escrita tem vindo a ganhar prevalência tanto no mercado asiático como no mercado mundial, com webcomics, como Hetalia: Axis Powers, a receberem adaptações em anime.

Popularidade aumenta e remake de OPM:

Com o aumento de popularidade, ONE viu-se obrigado a arranjar um emprego a tempo inteiro, deixando a sua publicação de One Punch-Man em espera durante tempo ilimitado. O seu plano era ganhar dinheiro suficiente para ficar um ano a desenhar a tempo inteiro, algo que muitas vezes mata a popularidade de um mangá, mas, por pura coincidência, foi durante este período que recebeu uma mensagem de um fã especial. Yusuke Murata, criador de Eyeshield 21, entrou em contacto com ONE, após se deparar com o webcomic e ver o potencial que a história tinha se acoplada com um estilo artístico melhor desenvolvido. Propôs-lhe que tentassem publicar numa editora “mainstream” um mangá de One Punch-Man desenhado por si, ideia que agradou a ONE, pois viu isto como uma porta para o mundo dos mangás com que sempre sonhou. Acabaram por conseguir começar a publicar na Weekly Young Jump e arrecadaram diversos prémios com este mangá, tanto no Japão como internacionalmente. Estas honras valeram ainda a criação de um anime de OPM, o que catapultou ainda mais a fama de ONE fora da sua terra natal.

Novas aventuras:

Agora, com um pé na indústria, ONE começou a explorar novas opções, entre as quais a publicação de um mangá desenhado por ele próprio. Daí nasceu Mob Psycho 100, também bastante louvado com prémios e com uma adaptação de anime. Apesar de já ter a sua fama como mangaka, não esquece o formato que o lançou para a ribalta, os webcomics, tendo entretanto começado a serializar Makai no Ossan.

Com o aumento de popularidade de um estilo de publicação que já possui bastantes fãs na Coreia do Sul e nos Estados Unidos, espera-se ainda um aumento do número de criadores de webcomics no Japão, mesmo que seja para, como ele, dar uso à plataforma, de forma a mergulhar no mundo dos mangás.

Isto poderá vir a dar origem a novos estilos de escrita e desenho, trazendo uma nova brisa a uma indústria que, como qualquer uma que tenha sucesso, pode facilmente começar a imprimir o mesmo tipo de conteúdo seguindo uma fórmula testada e comprovada.

O que o futuro reserva:

Algo que transparece bastante nas entrevistas de ONE é o respeito que ele tem pelos seus fãs. Poder-se-ia pensar que isto se deve à cultura japonesa, na qual os autores agradecem sempre bastante o apoio que recebem, apesar de muitas vezes se notar uma frieza nestes agradecimentos. Tal não é o caso de ONE que, no final de cada conversa, tem sempre uma expressão de surpresa em relação à situação em que os fãs o colocaram. É este tipo de emoção que me faz pensar que tão cedo este autor não nos irá desapontar, dando o seu máximo em cada projeto em que esteja envolvido, quer seja uma nova serialização, quer seja uma das suas antigas.

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