Abstract

A forma “correta” de ver Fate

Eu tenho um amor ardente pela franquia de Fate, nas diversas iterações e encarnações por diferentes mídia, incluindo 21 animes (entre filmes, séries e ONA), 6 séries de light novels, 10 séries de mangá, 3 drama CDs, 1 jogo para mobile, 7 videojogos e 2 visual novels; por isso compreendo como esta pode parecer uma franquia impenetrável para quem não sabe bem o que esperar. Falaremos detalhadamente  das interações envolvendo a vertente Stay Night da franquia, pois considero esse um dos mais simples pontos de entrada, contextualizando o resto de Fate que existe por aí.

Fate, ao lado de Kara no Kyoukai e Tsukihime, é provavelmente a face mais conhecida daquilo a que os fãs chamam de Nasuverse: uma série de histórias escritas por Kinoko Nasu que partilham todas o mesmo universo e que tiveram origem com a  visual novel intitulada Fate/Stay Night em 2004, produzida pelo estúdio TYPE-MOON. Foi em 2006 que a franquia realmente começou a ganhar popularidade, com a adaptação da história para o formato de anime e a produção de uma série de light novels que serviriam de prequela de Stay Night. O respetivo anime explodiu em popularidade em 2011 graças à adaptação feita pelo estúdio Ufotable, que desde então tem tido o seu nome associado às principais peças da franquia.

Imagem promocional para Fate Stay/Night Unlimited Blade Works

Vamos agora entrar em detalhe na história (mas não entraremos em grandes spoilers) por isso se querem ter uma experiência sem introdução prévia à franquia saltem para o final onde sumarizemos as diversas formas de abordar esta franquia assim como quais as que mais recomendamos.

Stay Night (a visual novel) está dividida em três routes principais: Fate, Unlimited Blade Works (UBW) e Heavens Feel (HF). Cada route tem uma heroína central diferente, o que leva a um desenrolar diferente dos acontecimentos, resultando em três histórias fundamentalmente distintas. Assim, a ordem pela qual as routes são apresentadas tem um papel importante na perceção geral da narrativa.  Esta organização específica pretende que nos habituemos ao mundo e às suas regras, antes de as subverter. Fazendo juz à sua fama, o universo de Fate pode ser complexo, tendo um enredo extensivo; contudo, seguindo a ordem natural da narrativa vamo-nos habituando passo a passo, não sendo tudo largado em cima de nós de uma vez só.

Fanart de Fate Stay/Night Unlimited Blade Works

Stay Night passa-se durante a quinta Guerra do Santo Graal (GSG para facilitar), um ritual mágico criado para invocar o próprio Santo Graal e conseguir fazer com que um desejo seja concedido por este místico artefacto. Claro que invocar um objecto lendário é extremamente difícil, sendo necessário uma enorme quantidade de mana (a moeda de troca mágica clássica que neste tipo de cenários quase já escusa explicação); razão pela qual são invocados pelo Graal sete poderosas entidades denominadas de Servos, heróis do passado, para lutarem pelos seus respetivos Mestres (normalmente magos, com quem criam um pacto) até à morte. Aquando do seu falecimento, os Servos retornam para o Graal enchendo a quota de mana necessária para conceder o desejo. Eureka! Temos uma battle royale!

O protagonista de Stay Night é Emiya Shirou (o stand-in da audiência), um jovem mago amador, com um grande desejo de fazer o bem pelos outros e que acaba por se ver envolvido na guerra por acidente.

Apesar da parte visual não ter envelhecido muito bem, a visual novel no seu todo é fantástica (tirando as partes para maiores de 18, que foram introduzidas à última hora, forçadas pelos produtores com medo que a VN não vendesse sem eroge, mas na última versão publicada elas nem existem, por isso problema resolvido I guess). A história pode ser lenta por vezes, principalmente nas partes mais slice of life do início, mas quando a ação entra em velocidade cruzeiro vale bem o tempo investido. Quer se olhe ao pormenor, quer para o geral, Stay Night mostra uma minúcia fantástica quer na construção das personagens, quer da narrativa, dando todas as pistas necessárias para o leitor perceber o que se passa em cada route desde muito cedo. Se tiverem tempo, recomendo vivamente jogarem a VN como entrada na franquia, porque não só vos introduz calmamente no conceito de GSG e Servos (necessários para compreender outras entradas na franquia), mas também é a única forma de experienciar as três routes na sua integridade, e já irei explicar o que quero dizer com isso mais à frente. Infelizmente não existem cópias da VN disponíveis à venda pelo que terão de ser piratas (yarr) e encontrar outras formas de pôr as mãos neste jogo, mas vale a pena.

Exemplo do aspecto da visual novel

Em relação àquilo da VN ser a “única experiência completa de Fate”: é verdade, mesmo com as adaptações, não existe nenhuma adaptação 1:1 da visual novel para o pequeno ecrã, em parte devido ao anime de 2006, ou como é conhecido na comunidade “aquela vez em que o estúdio Deen tentou adaptar mais de 50 horas de conteúdo e três routes completamente diferentes num único anime de 24 episódios” (o que poderia possivelmente correr mal?). Em defesa do estúdio, a intenção era boa, mas intenções não os salvam de terem spoilado todas as três routes sem dar contexto para nenhuma, nem de um final original mais confuso do que encontramos em qualquer uma das routes. Não é por acaso que os fãs de Fate fogem desta adaptação a sete pés. Além de problemas na adaptação da história, a parte visual ainda envelheceu pior que a VN, sendo desconfortável de ver em mais do que uma ocasião. Em suma: evitar como primeiro contacto com a série (ou de todo).

Exemplo do aspecto da adaptação de Fate Stay/Night do estúdio Deen

Depois temos aquilo que foi o meu primeiro anime de Fate, do qual me arrependo profundamente: Fate/Zero. Pelas razões óbvias de ser uma prequela para os eventos de Stay Night, este deveria logicamente o primeiro passo para um principiante, certo? Errado! Muito do que acontece em Stay Night (relembremos, na quinta Guerra do Santo Graal) resulta diretamente de eventos da quarta guerra, pelo que há certos “mistérios” e motivações de algumas personagens que estão integralmente ligadas com esses eventos. Ora, originalmente não havia prequela, donde a narrativa está construída à volta de pequenas revelações relacionadas com o passado de algumas personagens que perdem todo o efeito se a audiência souber em detalhe o que se passou na quarta guerra. A somar a isto, Fate/Zero assume que a sua audiência já está familiarizada com conceitos inerentes ao mundo como a GSG e as suas mecânicas, gastando pouco tempo a introduzi-los; o que para um espectador desprevenido pode ser bastante confuso. Assim, desaconselho a ver Fate/Zero em primeiro lugar, uma vez que anula certas revelações que são base para os arcos de algumas personagens em Stay Night.

Exemplo do aspecto da adaptação de
Fate Stay/Night: Unlimited Blade Works do estúdio Ufotable

A Ufotable começou a adaptar Stay Night pela route Unlimited Blade Works (a segunda, se se recordarem), uma vez que já existe uma tentativa de adaptação da route Fate. Apesar de ser uma fantástica adaptação, pondo em animação todos os pontos importantes de UBW, acaba por ser apenas uma perspetiva sobre Stay Night, e a falta da Fate como elemento introdutório para o imaginário da série pode fazer a diferença para algumas pessoas. O mesmo pode ser dito da adaptação de Heaven’s Feels, neste momento no segundo de três filmes: que é uma adaptação praticamente perfeita, contudo sem ter todas as peças do puzzle, acaba sempre por ser um puzzle incompleto. Mesmo assim, recomendo os trabalhos da Ufotable antes dos da Deen em qualquer dia da semana, não só pela sua maior fidelidade aos originais, mas também pelo espetáculo que são de ver, tendo Fate/Zero, UBW e agora os filmes de HF subindo constantemente a fasquia do que é possível através deste mídia.

Olhando para o geral que Fate tem para oferecer, pouco importa a ordem pela qual se vê os restantes animes da franquia, pois todos se baseiam na compreensão do funcionamento do mundo de Stay Night. Por isso após colecionar este arsenal básico estamos prontos para ir lutar todas a Guerras do Santo Graal disponíveis.

Fanart de Fate Stay/Night

Condensando os meus pontos, apresento as minhas recomendações para experienciar Fate:

  1. Demorando o mínimo de tempo possível (versão mais casual):

– Fate/Stay Night: Unlimited Blade Works (2014)

– Fate/stay night Movie: Heaven’s Feel (trilogia)

– Fate/Zero

– Outro anime, mangá, etc. por nenhuma ordem em especial

2. Demorando o mínimo de tempo possível (mais completo):

– Fate/Stay Night (Visual Novel): route Fate (apenas a primeira, que não tem adaptação);

– Fate/Stay Night: Unlimited Blade Works (2014);

– Fate/stay night Movie: Heaven’s Feel (trilogia);

– Fate/Zero;

– Outro anime, mangá, etc. por nenhuma ordem em especial;

3. Como eu pessoalmente recomendaria:

– Fate/Stay Night (Visual Novel, toda, sem desculpas);

– Fate/Stay Night: Unlimited Blade Works (2014);

– Fate/stay night Movie: Heaven’s Feel (trilogia);

– Fate/Zero:

– Outro anime, mangá, etc. por nenhuma ordem em especial;

4. Por ordem cronológica (não recomendado): 

– Fate/Zero (spoiler para muitos pontos importantes para Stay Night);

– Fate/Stay Night (Visual Novel)

– Fate/Stay Night: Unlimited Blade Works (2014) e Fate/stay night Movie: Heaven’s Feel;

– Outro anime, mangá, etc. por nenhuma ordem em especial.

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